Família Bolsonaro ignora saúde e foca em Trump

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Encontro no Salão Oval reforça o alinhamento bolsonarista com Washington (Foto: Instagram)

Esqueça saúde, educação e segurança. Para Flávio Bolsonaro, esses temas são secundários. Quando ele não está atacando Lula e o petismo, o foco é Trump, Trump e mais Trump. A estratégia, impulsionada pela presença de seu irmão Eduardo nos Estados Unidos, onde acontecerá a Copa de 2026, tem sido um desastre. Tarifas, sanções, ameaças ao Pix e grupos criminosos classificados como terroristas fazem parte desse emaranhado de erros. Mesmo assim, o bolsonarismo persiste, como se ainda agitasse a bandeira dos EUA no Sete de Setembro na Avenida Paulista. Será que o ataque à soberania virou método?

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Isso não é novidade. Em várias ocasiões, enquanto estava no comando do país, Jair Bolsonaro demonstrou um alinhamento quase automático à política externa de Donald Trump, até mesmo em questões sensíveis para a autonomia diplomática brasileira, como relações com a China, meio ambiente e Oriente Médio. É emblemático o momento em que ele fez continência à bandeira americana durante a execução de "The Star-Spangled Banner". Seu chanceler, Ernesto "Pária" Araújo, rompeu com a tradição de autonomia do Itamaraty. Os companheiros Sergio Moro e Deltan Dallagnol, durante a Operação Lava Jato, mantiveram uma cooperação intensa com autoridades estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos.

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Historicamente, os indignados costumavam denunciar violações de direitos humanos em organismos multilaterais, como a ONU ou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. No caso do bolsonarismo, o foco mudou para os republicanos do governo e do Congresso dos Estados Unidos, na tentativa de convencer parlamentares de que o Brasil estava deixando de ser uma democracia. A nação que nasceu para defender a democracia no mundo precisava agir aqui.

Trata-se de uma continuação farsesca da política externa dependente que foi consolidada no golpe de 64 e na ditadura militar. Setores da sociedade, incluindo militares, defendem uma aproximação ideológica com o conservadorismo norte-americano, atuando para que os Estados Unidos sejam um aliado político prioritário. Eles surfam no discurso do anticomunismo e precisam dos ianques para legitimar projetos políticos internos. A balança comercial e os empréstimos justificavam essa atuação no passado, hoje, com o multilateralismo e as relações com a China, tudo mudou. Apenas o poderio bélico justificaria tal submissão.

O problema do bolsonarismo é constitucional. O artigo 4º determina que as relações internacionais do Brasil são guiadas pela independência nacional e pela não intervenção de outros Estados. Isso significa que conflitos políticos internos devem ser resolvidos pelo Congresso, Judiciário, Ministério Público e eleições — sem interferência de governos estrangeiros. Foi justamente esse paradigma que a extrema-direita patriota desacreditou.

Brasil acima de tudo? Está difícil acreditar nessa lorota. Não sei onde Deus está, mas a família Bolsonaro acredita que está acima de todos.

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