Haxixe era chamado de “iPhone” em esquema ligado a alvo de sanção dos EUA

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Operação Exchange: ‘iPhone’ era codinome para haxixe em esquema bilionário do PCC (Foto: Instagram)

Ygor Fokin Saviolli e Gabriel Innocente foram dois dos principais alvos da Operação Exchange, lançada na sexta-feira (3/7) pela Polícia Federal, visando o braço financeiro do PCC. Eles desempenhavam papéis fundamentais no esquema bilionário de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. Segundo as investigações, utilizavam o termo “iPhone” como codinome para o haxixe em aplicativos criptografados.

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Uma decisão da Justiça Federal, acessada pelo Metrópoles, indica que o grupo usava empresas de fachada para esconder o dinheiro do tráfico internacional, movimentando mais de R$ 10,3 bilhões. Ygor Saviolli, junto com Victor Henrique de Oliveira Shimada, era apontado como líder e coordenador logístico. Gabriel Innocente, por sua vez, negociava a venda de drogas, especialmente haxixe.

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Victor Shimada, sócio da Victory, está envolvido no escândalo que liga o Corinthians à casa de apostas Vai de Bet e é um dos brasileiros sancionados pelos EUA por supostos laços com o PCC. Ele é visto pelo governo dos EUA como um elo crucial com a facção criminosa, tendo lavado mais de US$ 30 milhões em várias cidades americanas.

Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, parente de Shimada, também foi sancionada e é acusada de ser "intermediária para a coleta de grandes quantias em dinheiro" para o PCC. Ela foi detida pela PF na sexta-feira, sendo considerada essencial para os serviços logísticos da rede de lavagem de dinheiro.

LINGUAGEM CIFRADA EM APPS DE CONVERSA
Ygor Saviolli, que coordenava a distribuição de drogas, tinha contato próximo com Gabriel Innocente, que atuava como negociador e intermediário de pagamentos. Para dificultar a ação das autoridades, eles usavam linguagem cifrada em aplicativos de mensagens.

A PF identificou o uso do termo “iPhone” para haxixe. Expressões como “flor” referiam-se à maconha de alta qualidade, enquanto “ice” designava haxixe feito com água gelada.

As conversas interceptadas mostram que negociavam com fornecedores internacionais o envio de drogas ao Brasil via Correios, com o Rio de Janeiro sendo um dos principais mercados. Em mensagens, Gabriel afirma que o haxixe poderia ser vendido por até R$ 150 o grama na capital fluminense, onde a demanda era alta.

A decisão também revela que os investigados discutiam rotas de envio, pagamentos internacionais e estratégias para trazer a droga ao país sem chamar atenção. Em uma conversa, Gabriel comenta que os compradores do Rio de Janeiro "iriam disputar" o produto se a remessa fosse concluída.

O dinheiro do tráfico era depositado em contas de empresas de fachada, como a HI Quality Importação Comércio e Distribuição Ltda., usada para receber depósitos ilícitos e dar aparência de legalidade aos recursos. Para os investigadores, essa estrutura empresarial era central no esquema financeiro da organização criminosa.

A defesa de Victor Shimada declarou não ter tido acesso às decisões judiciais. “Assim que tivermos acesso aos autos e às informações oficiais, faremos a análise técnica do caso e tomaremos as medidas jurídicas necessárias”, disse o advogado Yuri Cruz.

O Metrópoles busca as defesas de Ygor Saviolli, Gabriel Innocente e Stella Stefanie de Oliveira. O espaço está aberto para manifestações.

SANÇÕES DO GOVERNO DOS EUA
As sanções aplicadas na quarta-feira pelo Departamento do Tesouro dos EUA incluem, além de Victor Shimada e Stella de Oliveira, três empresas brasileiras e uma portuguesa supostamente ligadas ao PCC.

Com a decisão, todos os bens e ativos dos alvos no país estão bloqueados, e cidadãos e empresas norte-americanas estão proibidos de negociar com eles. Instituições financeiras estrangeiras que continuarem transações com os alvos podem enfrentar sanções secundárias.

EMPRESAS SANCIONADAS

  • Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda.
  • Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda.
  • Wave Construções Inteligentes Ltda. e Avenidas Flutuantes Unipessoal Ltda. (Portugal)

O promotor Lincoln Gakiya, autoridade do MPSP nas investigações sobre o PCC, afirmou que não há informações que liguem Victor Shimada à facção criminosa.

“No Ministério Público de São Paulo, não temos qualquer informação ligando esses dois indivíduos [além de Shimada, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, presa na sexta-feira] ao PCC”, afirmou Gakiya.

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