
Vladimir Putin em pronunciamento oficial (Foto: Instagram)
Nos recentes discursos públicos, o líder da Crimeia tentou manter o otimismo, mas foi direto com os aproximadamente 2,4 milhões de habitantes da região. Sergei Aksyonov afirmou que, apesar dos esforços do governo local para solucionar a situação, em breve não haverá combustível disponível para a população devido à ofensiva da Ucrânia contra o território ocupado e pontos vitais na Rússia.
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A crise na área foi desencadeada após as forças ucranianas intensificarem uma tática já utilizada há algum tempo: ataques a instalações ligadas aos setores de combustíveis, comunicações e militar da Rússia. Essas ações, segundo o Ministério da Defesa da Ucrânia, visam reduzir "diretamente o potencial militar-econômico do estado agressor".
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Em um resumo, o governo ucraniano informou que 11 refinarias russas, 7 instalações de logística de combustível, centros de comunicação espacial, além de navios e balsas foram atingidos.
Na Crimeia, a Diretoria Principal de Inteligência do Ministério da Defesa da Ucrânia relatou que um radar de vigilância, 6 aviões-tanque, 2 locomotivas de carga, 3 tanques de combustível e equipamentos militares transportados em um comboio militar foram alvos dos ataques.
O QUE É A CRIMEIA?
A Crimeia é uma península localizada dentro do território ucraniano, anexada pela Rússia em 2014. Situada em uma posição estratégica para a Rússia, a região é o principal acesso ao Mar Negro durante o inverno. A Crimeia abriga a Frota Russa no Mar Negro, localizada em Sebastopol. Desde o início da guerra, o local é usado como base de lançamentos de ataques russos. Conectada ao território russo por uma grande ponte, a Crimeia também se tornou um centro logístico para o país liderado por Vladimir Putin, sendo por onde grande parte das armas e suprimentos são enviados para soldados na linha de frente.
A ponte que conecta a Rússia à Crimeia — utilizada para transporte de combustível e material militar para o território ocupado — também foi alvo, complicando a logística russa no conflito.
“Continuamos trabalhando com o quartel-general federal para aumentar os volumes de fornecimento de combustível. No entanto, as restrições ainda se mantêm e, provavelmente, irão durar cerca de um mês”, afirmou Mikhail Razvozhayev, governador da maior região da Crimeia, Sebastopol, em um pronunciamento em 30 de junho.
Após a ofensiva, a Crimeia passou a enfrentar escassez não apenas de combustível, mas também de energia elétrica e alimentos, que chegavam ao território pela ponte que ligava a região à Rússia. Por isso, o chefe da Crimeia, Sergei Aksyonov, decretou estado de emergência na região em 26 de junho, adotando medidas como o racionamento de gasolina e energia.
FRUTO DE TRABALHO
Além de mísseis balísticos, a Ucrânia investiu ainda mais em drones na recente ofensiva contra posições russas. Em maio, o Ministério da Defesa da Rússia admitiu que cerca de 600 drones ucranianos foram lançados contra o território russo, incluindo partes da Crimeia.
Autoridades ucranianas ouvidas pelo Metrópoles sob condição de anonimato afirmam que o avanço da Ucrânia “não é consequência de um dia só”, mas sim o resultado de uma estratégia que está sendo colhida agora. Meses após a Rússia iniciar o conflito, o governo ucraniano lançou o programa Army of Drones, para avançar no setor de veículos não tripulados. A iniciativa foi coordenada pelas Forças Armadas da Ucrânia, a organização Congresso Mundial dos Ucranianos (WUC) e o Ministério da Transformação Digital da Ucrânia.
Empossado como ministro da Defesa em janeiro deste ano, Mykhailo Fedorov participou ativamente dos trabalhos que resultaram na criação das Forças de Sistemas Não Tripulados (USF), um ramo das Forças Armadas dedicado exclusivamente ao uso de drones. Enquanto o projeto era desenvolvido e doações eram recolhidas, ele atuava como ministro da Transformação Digital. Nascido em 1991, Fedorov ficou reconhecido por seu foco no uso de tecnologias em guerra, como drones e Inteligência Artificial (IA).
NEGOCIAÇÕES
Analistas ouvidos pelo Metrópoles afirmam que os ataques ucranianos não visam apenas retomar o território da Crimeia, mas também forçar uma possível retomada das negociações de paz, estagnadas desde o início do ano.
“O que estamos vendo é uma campanha voltada para a infraestrutura estratégica da Rússia, uma ofensiva voltada para a Crimeia para criar uma pressão muito grande na liderança russa, uma vez que a região é o grande trunfo da ocupação desde 2015”, explica Sandro Teixeira, professor de Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro (ECEME).
“A Ucrânia está utilizando suas capacidades tecnológicas em um ciclo de inovação que ainda não houve adaptação russa. As adaptações nesse conflito giram em torno de quatro a seis semanas, então eles [ucranianos] estão tentando aproveitar esse momento para criar um fato político que force a Rússia a retomar as negociações”, acrescenta.
Ainda assim, os últimos balanços militares divulgados por autoridades russas mostram que o país pretende continuar com os combates. De acordo com o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia, Valery Gerasimov, 29 localidades dentro da Ucrânia foram conquistadas no último mês. Uma área equivalente a 636 quilômetros quadrados, informou o militar.
Além disso, a Rússia prometeu expandir a ocupação na Ucrânia caso os ataques contra infraestruturas do país continuem. Segundo o Kremlin, a medida se justifica pela necessidade de expandir a zona de segurança russa.







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