
Empresários do Brasil e EUA buscam acordo para barrar tarifas (Foto: Instagram)
Entidades empresariais do Brasil e dos Estados Unidos intensificaram seus esforços para impedir a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros, solicitando mais tempo para negociações entre os governos dos dois países.
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Em uma carta enviada na quinta-feira (9/7) a representantes dos dois países, a Amcham, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a U.S. Chamber of Commerce propuseram um acordo de curto prazo para encerrar de forma negociada a investigação conduzida pelos Estados Unidos sob a Seção 301.
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No Brasil, o documento foi encaminhado ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Nos Estados Unidos, a carta foi enviada ao representante comercial Jamieson Greer e ao secretário de Estado, Marco Rubio.
As entidades destacam que uma solução negociada é a melhor forma de fortalecer a competitividade e ampliar oportunidades econômicas, além de evitar impactos negativos para empresas, trabalhadores e consumidores.
Como prioridade imediata, o setor empresarial propõe que as negociações incluam a ampliação do acesso a mercados para produtos industriais, bens de capital, infraestrutura para inteligência artificial e data centers, além de fortalecer a cooperação regulatória em setores como automotivo, farmacêutico, saúde e equipamentos médicos.
A carta também sugere ampliar a cooperação em minerais críticos, acelerar a análise de patentes no Brasil, reforçar o combate à pirataria, estender a moratória da OMC sobre tarifas para transmissões eletrônicas e implementar integralmente o Protocolo Anticorrupção do ATEC.
Segundo as entidades, esse acordo inicial deve abrir caminho para uma agenda mais ampla que inclua segurança energética, comércio eletrônico, inovação, descarbonização industrial, agricultura, transportes e fortalecimento das cadeias produtivas.
“O progresso nessas áreas por meio de negociação, em vez de imposição de tarifas, tende a produzir resultados mais duradouros e evitar efeitos indesejados para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países”, diz a carta.
O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, destacou a necessidade de uma solução rápida diante da proximidade da decisão final do governo dos EUA.
“Com o prazo final da investigação se aproximando, é crucial que os governos do Brasil e dos Estados Unidos concentrem esforços para viabilizar um acordo que evite a aplicação das tarifas e abra espaço para uma agenda mais ampla de fortalecimento da relação econômica bilateral”, afirmou.
DECISÃO DOS EUA SE APROXIMA
O posicionamento das entidades foi feito poucas horas após Jamieson Greer afirmar que a decisão sobre a investigação comercial contra o Brasil será anunciada “muito em breve”.
Em entrevista à Fox Business, o chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) mencionou que mantém conversas frequentes com o governo brasileiro, mas reconheceu que ainda há “muita distância” nas negociações entre os dois lados.
Na terça-feira (7/7), o USTR concluiu a fase de audiências públicas da investigação da Seção 301, que investiga práticas comerciais consideradas desleais pelo Brasil. Ao fim do processo, o órgão recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
A decisão final caberá ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Caso aprovada, a tarifa deverá entrar em vigor em 15 de julho.
Nos bastidores, tanto autoridades brasileiras quanto norte-americanas admitem dificuldades para alcançar um entendimento. Enquanto o governo brasileiro afirma que Washington não deixou claro quais concessões espera de Brasília, negociadores dos EUA avaliam que o Brasil tem mostrado “pouca ambição” para avançar em um acordo antes do prazo final.







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