Suplemento de magnésio não aumenta disposição sem deficiência, dizem médicos

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Cápsulas de magnésio: suplemento em alta, mas só indicado com indicação médica (Foto: Instagram)

Os suplementos de magnésio têm ganhado destaque nas redes sociais e em farmácias, prometendo melhorar o sono, reduzir cãibras, aliviar o estresse e aumentar a disposição. No entanto, especialistas alertam que o uso indiscriminado do mineral pode não ser benéfico e que seus efeitos dependem da necessidade individual de cada organismo.

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O magnésio é essencial para mais de 300 reações bioquímicas no corpo humano. Ele auxilia na produção de energia, funcionamento dos músculos e nervos, síntese de proteínas, controle da pressão arterial e glicemia, além de ser importante para a saúde dos ossos. Especialistas recomendam que, antes de iniciar a suplementação, seja investigada a causa dos sintomas para verificar se há realmente uma deficiência do mineral.

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Os suplementos de magnésio são geralmente indicados para indivíduos com deficiência confirmada ou suspeita clínica, especialmente em casos de condições que favorecem a perda ou dificultam a absorção do mineral. Entre essas condições estão doenças gastrointestinais, como a doença celíaca e de Crohn, diarreia crônica, diabetes mal controlada, alcoolismo, doença renal com perda excessiva de magnésio e uso prolongado de certos medicamentos.

O endocrinologista Rafael Suhett, que atende no Rio de Janeiro, afirma que nem todos precisam dos suplementos. "Na prática clínica, não há comprovação consistente de que suplementar magnésio em indivíduos sem deficiência melhore a disposição, desempenho físico, memória ou qualidade de vida de forma generalizada", diz ele.

Os sintomas de deficiência de magnésio podem incluir cãibras frequentes, fraqueza muscular, fadiga, tremores, formigamentos e palpitações. Embora o exame de dosagem de magnésio sérico seja o mais utilizado, sua interpretação deve ser feita junto com os sintomas, fatores de risco e outros exames laboratoriais.

Na maioria dos casos, uma dieta equilibrada é suficiente para suprir as necessidades de magnésio do corpo. O mineral é encontrado em verduras verde-escuras, leguminosas, oleaginosas, sementes e grãos integrais. O nutrólogo Rubem Regoto, também no Rio de Janeiro, ressalta que o suplemento deve ser visto como um complemento e não como substituto de uma dieta saudável.

Os especialistas também destacam que existem diferentes formas de magnésio, como citrato, bisglicinato, dimalato e treonato. Cada uma possui características específicas de absorção e tolerabilidade, e a escolha deve ser baseada na indicação clínica, não apenas nas promessas dos rótulos.

Apesar de ser essencial, o magnésio pode causar efeitos adversos se usado em excesso ou sem orientação. Altas doses podem resultar em diarreia, náuseas, desconforto abdominal, queda da pressão arterial e fraqueza muscular. Em pacientes com insuficiência renal, o risco é maior, pois os rins têm dificuldade em eliminar o excesso do mineral.

Outro ponto importante é a interação com medicamentos. Os suplementos de magnésio podem reduzir a absorção de alguns antibióticos, bisfosfonatos usados no tratamento da osteoporose e levotiroxina, sendo necessário respeitar intervalos entre as medicações. A recomendação é que a suplementação seja feita apenas após avaliação individualizada, considerando sintomas, histórico de saúde, alimentação e real necessidade de reposição. Dessa forma, evita-se tanto o uso desnecessário quanto a falta de tratamento para uma deficiência existente.

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