
Suspeito de golpe na venda de carros é preso no RJ após causar prejuízo de R$ 1 milhão (Foto: Instagram)
Um golpe envolvendo a falsa venda de veículos, investigado por causar um prejuízo de mais de R$ 1 milhão, fez uma vítima no Distrito Federal perder R$ 80 mil. O suspeito, Leonardo Araújo de Queiroz, de 48 anos, foi preso na última quarta-feira (8/7) no Rio de Janeiro (RJ).
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As investigações da 23ª Delegacia de Polícia (Ceilândia) revelaram mais de 26 ocorrências policiais registradas no DF somente este ano, com Leonardo como suspeito, muitas delas relacionadas a vendas de veículos.
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Uma das vítimas relatou ao Metrópoles que, em março deste ano, encontrou um anúncio de um Jeep Renegade em um site de vendas e, ao pesquisar o nome do vendedor, encontrou seu perfil nas redes sociais.
A página do suspeito mostrava várias fotos e vídeos de clientes aparentemente recebendo os carros, o que passou uma impressão de confiança.
O comprador afirmou que Leonardo dizia trabalhar com repasses de carros de uma locadora. Ele se apresentou como intermediário autorizado da locadora, afirmando ter credenciamento para vender veículos da empresa.
Após as primeiras conversas, o comprador foi ao escritório do suspeito em Águas Claras (DF). Segundo a vítima, o carro desejado foi apresentado por Leonardo em um pátio da locadora em um shopping na mesma área.
O contrato de compra e venda foi assinado e a vítima transferiu R$ 80 mil ao vendedor. A promessa era que o carro seria entregue em dois dias, após higienização, mas o prazo não foi cumprido.
“Passaram quatro dias e nada. Ele começou a dizer que precisava fazer reparos e vistorias. Um dia, ele simplesmente desapareceu e parou de responder. Não consegui mais contato”, afirmou a vítima.
A vítima suspeitou do golpe assim que Leonardo sumiu. Enquanto prestava depoimento na delegacia, recebeu uma transferência de R$ 10 mil do suspeito. Contudo, segundo o relato, Leonardo tentou reverter a operação depois.
“Quando eu estava na delegacia, ele me devolveu R$ 10 mil. Depois tentou estornar esse valor e ainda me bloqueou no WhatsApp”, lembrou.
Após registrar a ocorrência, o comprador tentou localizar o suspeito várias vezes, inclusive indo ao escritório onde o negócio foi fechado, mas não o encontrou.
Foi então que descobriu um grupo de outras pessoas que também relataram ter sido enganadas pelo mesmo homem.
“Fui umas cinco vezes atrás dele e nunca estava lá. Depois descobri que existia um grupo de vítimas”, contou.
PRISÃO NO RJ
A Polícia Civil do Distrito Federal, com apoio das polícias Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) e do Espírito Santo (PCEES), lançou a Operação Auto Ilusão para cumprir um mandado de prisão contra Leonardo.
Durante as investigações, os policiais da 23ª DP foram ao Espírito Santo após monitoramento indicar que o foragido estava em Guarapari. Durante as diligências ao longo da semana, com apoio da PCEES, novas informações indicaram que Leonardo havia seguido para o Rio de Janeiro.
Com o aprofundamento das atividades de inteligência policial, análise de dados e levantamentos investigativos, os policiais do DF localizaram o foragido no bairro do Méier, na capital fluminense.
Diante do risco de nova fuga, as informações foram imediatamente compartilhadas com a PCERJ, que realizou diligências no local indicado, localizou o investigado e cumpriu o mandado de prisão preventiva expedido em seu desfavor.
Em junho deste ano, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) já havia denunciado Leonardo por estelionato e também pediu que, em caso de condenação, a Justiça fixasse uma indenização mínima de R$ 70 mil para reparar o prejuízo causado à vítima que perdeu R$ 80 mil.
O MPDFT também destacou que o investigado responde a outro processo por fato semelhante e, por isso, manifestou-se contra a celebração de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP).
COMPRA DE CARROS DE LUXO
Em 2023, Leonardo foi alvo de outra operação da PCDF que focou em uma organização criminosa que aplicava golpes em dezenas de clientes e lavava dinheiro comprando carros de luxo na Cidade do Automóvel (DF).
Segundo as investigações da Operação El Coche, duas lojas eram usadas pela organização criminosa para atrair vítimas. Os clientes deixavam os veículos em consignação e nunca recebiam os valores após a venda.
Com o dinheiro dos golpes, o grupo comprava carros de luxo que chegavam a custar R$ 600 mil. Apenas três dos veículos apreendidos pela polícia foram avaliados em R$ 1,5 milhão.
Os investigadores concluíram que os golpistas, de fato, eram os donos dos veículos caros, mas colocavam todos os documentos em nome de terceiros para evitar o rastreamento da polícia e de seus inúmeros credores decorrentes dos golpes.
As lojas usadas para captar vítimas eram a Grand Car e 2M Motors. Os sócios das duas revendedoras, Michel de Carvalho Santos e Matheus Dias Serrão, foram apontados como líderes do esquema criminoso.
Outros integrantes da quadrilha, segundo as investigações, eram o gerente, Plínio Araújo Pereira, e os vendedores Leonardo Araújo de Queiroz e Jonatham Lucas Araújo Lima.
Os integrantes do grupo eram investigados pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, estelionato, porte ilegal de arma de fogo, violência doméstica contra mulher, receptação e desacato.
A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Leonardo para comentar o caso. O espaço permanece aberto.







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