
Na disputa entre páginas e telas (Foto: Instagram)
Com a crescente digitalização do cotidiano, a leitura em telas tornou-se uma parte significativa do dia a dia de crianças e adultos. Livros, apostilas e até documentos importantes foram substituídos por celulares, tablets e computadores. Mas será que o cérebro processa o conteúdo da mesma forma quando lido no papel ou em dispositivos eletrônicos?
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Especialistas consultados pelo Metrópoles afirmam que as áreas do cérebro responsáveis pela linguagem são ativadas da mesma forma em ambos os formatos. No entanto, a interação com cada suporte pode afetar a atenção, a compreensão e a retenção de informações, especialmente em leituras mais longas ou complexas.
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PAPEL FAVORECE UMA LEITURA MAIS PROFUNDA
A neuropsicóloga Juliana Gebrim, que atua em Brasília, explica que o papel proporciona uma experiência de leitura mais contínua e com menos interrupções, além de oferecer pistas sensoriais que auxiliam o cérebro na organização das informações.
“Sempre que o objetivo for estudar, memorizar, refletir ou entender conteúdos mais complexos, o papel tende a proporcionar uma experiência mais favorável. O segredo não está no suporte, mas em como treinamos nosso cérebro para focar”, afirma.
A especialista também destaca que livros e materiais impressos favorecem a memória espacial, permitindo que o cérebro associe informações à posição na página, facilitando a recuperação posterior do conteúdo.
TELAS EXIGEM ATENÇÃO PARA EVITAR DISTRAÇÕES
Para a neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi, que atende no Rio de Janeiro, o desafio da leitura digital não está necessariamente na tela, mas no ambiente cheio de estímulos que geralmente a acompanha.
“Independente do suporte, o principal fator de aprendizagem é a qualidade da atenção. Ler em um ambiente com poucas distrações, desativar notificações, fazer pausas e usar estratégias como resumos e recuperação ativa fortalece a consolidação da memória”, explica.
Ela observa que notificações, hiperlinks, alternância entre aplicativos e a rolagem contínua aumentam a carga cognitiva e dificultam a consolidação das informações pela memória de trabalho. Por outro lado, as telas são práticas para consultas rápidas, pesquisas, notícias e recursos de acessibilidade, como aumento de fonte e leitura em voz alta.
O MAIS IMPORTANTE É ESCOLHER O FORMATO CONFORME O OBJETIVO
De acordo com a neuropsicóloga Georgia Firme Lima, do Instituto Ser Humano de Psicologia, em Brasília, não existe uma competição entre papel e tecnologia. A escolha deve considerar a finalidade da leitura e o nível de concentração necessário para a tarefa.
“Mais do que uma competição entre papel e tecnologia, precisamos pensar na intenção. O cérebro se adapta às ferramentas que oferecemos. O mais importante é escolher o formato que favoreça atenção, compreensão e aprendizado naquele momento”, destaca.
Ela acrescenta que crianças tendem a ser mais suscetíveis às distrações dos dispositivos eletrônicos, pois o cérebro ainda está se desenvolvendo, especialmente nas funções ligadas ao controle da atenção. Já adultos geralmente possuem maior capacidade de autorregulação, embora também possam ser afetados pelo excesso de estímulos digitais.
Segundo a especialista, tanto a leitura em papel quanto em telas podem ser eficazes quando realizadas com foco e em ambientes que favoreçam a concentração.







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