
Fila de ambulâncias supostamente adquiridas em licitação fraudulenta em Patrocínio (MG) (Foto: Instagram)
Belo Horizonte – O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apresentou uma denúncia contra o ex-prefeito de Patrocínio, Deiró Moreira Marra, e outras cinco pessoas por alegadas fraudes em licitação para a aquisição de dez ambulâncias e desvio de recursos públicos.
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Além do ex-prefeito, foram acusados um ex-secretário municipal de Saúde, a então pregoeira, um servidor do município e dois empresários. De acordo com o MPMG, o grupo agiu de forma coordenada para direcionar o Pregão Presencial nº 186/2022 (Processo Licitatório nº 236/2022).
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As investigações indicam que o edital foi elaborado com cláusulas restritivas, como a exigência de assistência técnica em um raio máximo de 100 km do município, o que eliminou concorrentes de forma indevida e favoreceu a empresa Confiança Veículos Patrocínio Ltda., que foi declarada vencedora mesmo sem apresentar a proposta de menor preço.
Cinco empresas foram desclassificadas com base nessa cláusula. O MPMG estima um prejuízo inicial de R$ 280 mil aos cofres públicos — valor que, corrigido até junho de 2026, alcança R$ 419.393,79.
A denúncia também aponta irregularidades na fase preparatória, como orçamentos suspeitos, vínculos entre empresas participantes da pesquisa de preços e suposto acesso antecipado ao conteúdo do edital.
Após a contratação, os acusados teriam emitido documentos falsos atestando a entrega das ambulâncias. Os pagamentos ocorreram entre fevereiro e março de 2023, embora os veículos só tenham sido efetivamente entregues em maio de 2023.
O MPMG imputa ao ex-prefeito crimes de fraude em licitação, falsidade ideológica e responsabilidade por desvio de recursos públicos. O órgão solicitou a condenação com reparação mínima de R$ 280 mil pelos danos materiais, além de indenização por danos morais coletivos.
A denúncia foi protocolada na 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e aguarda avaliação judicial.
HISTÓRICO DE INVESTIGAÇÕES
O ex-prefeito Deiró Moreira Marra já esteve envolvido em outras investigações por supostas irregularidades durante suas gestões. Em 2022, o Ministério Público de Minas Gerais o denunciou por crime de responsabilidade. Mais recentemente, em outubro de 2024, ele e um de seus irmãos foram acusados de falsidade ideológica na compra de imóveis, usando documentos falsos.
Além disso, Marra já enfrentou acusações de concussão, fraudes em licitações e abuso de poder político. Em 2026, foi condenado por inelegibilidade devido ao suposto uso de cestas básicas na campanha eleitoral de 2024, mas a decisão foi revertida pelo TRE-MG. Esses episódios reforçam um padrão de questionamentos sobre a gestão de recursos públicos em Patrocínio.







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