Polícia descarta suspeita sobre primo em caso de duplo latrocínio em BH

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Diarista Paola Cirino (à esq.) e o delegado Gustavo Barletta durante coletiva da PCMG. (Foto: Instagram)

Belo Horizonte – A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) esclareceu que o primo de Maria Clotilde Atala, uma das vítimas do duplo latrocínio cometido pela diarista Paola Cirino, de 30 anos, em Belo Horizonte, foi inicialmente alvo de "suposições" referentes à sua participação no crime. Contudo, conforme o delegado Gustavo Barletta, essa hipótese foi completamente descartada, e o parente foi considerado mais uma vítima do esquema, mesmo tendo indicado a mulher para o serviço de limpeza.

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“A Polícia Civil atua de maneira técnica, séria e imparcial. Não posso afirmar que suposições são indícios. Houve de fato algumas suposições de que ele poderia estar envolvido, mas, neste momento, descartamos totalmente sua participação”, afirmou Barletta, delegado da Delegacia Especializada de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri).

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Ainda segundo Gustavo, a diarista aproveitou-se da confiança do parente do casal para se aproximar da família, dopou-o e roubou R$ 800. Todas as suspeitas contra ele foram eliminadas após análise técnica e confronto de depoimentos. "Ela (a suspeita) confessou informalmente que usava a confiança do primo da dona Clotilde para se beneficiar de várias maneiras”, completou.

A autora admitiu os assassinatos, mas afirma que a intenção inicial era apenas o roubo. Ela já responde por duplo latrocínio e há outras vítimas identificadas, inclusive o próprio primo que a indicou.

Com a conclusão do inquérito sobre a morte do casal Cláudio Atala, de 75 anos, e Maria Clotilde Atala, de 75 anos, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) indiciou, além da diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, mais quatro homens por receptação qualificada, por terem adquirido os objetos que Paola roubou após matar os dois, no bairro São Pedro, em Belo Horizonte.

De acordo com a investigação, Paola estava trabalhando pela primeira vez na residência das vítimas no dia do crime. Ela chegou ao apartamento por indicação de um parente do casal, para quem já prestava serviços de diarista regularmente, duas vezes por semana.

O familiar prestou depoimento e afirmou estar profundamente abalado. Conforme relatado pelo delegado, ele disse sentir culpa por ter indicado Paola e afirmou que nunca teve qualquer problema com a funcionária, considerada por ele uma pessoa de confiança.

No entanto, em entrevista coletiva no dia 3 de maio, o parente mencionou que Paola havia "mudado o comportamento" nos últimos dias. Ele ainda afirmou que ela ligou para ele no dia do crime, relatando que Maria Clotilde estava passando mal. Ele, no entanto, diz que preferiu não verificar o que estava acontecendo na casa.

As investigações apontam que Paola entrou no edifício por volta das 7h30 de segunda-feira (29/6), carregando apenas uma bolsa. Cerca de oito horas depois, às 15h30, ela deixou o prédio usando roupas diferentes e levando duas sacolas grandes e uma bolsa reconhecida pelos familiares como pertencente a Maria Clotilde.

A perícia constatou que Cláudio e Maria Clotilde foram mortos com diversos golpes de faca em várias partes do corpo. Para a Polícia Civil, a violência empregada é incompatível com uma reação isolada durante um roubo e demonstra extrema crueldade.

Após deixar o apartamento, segundo as investigações, a suspeita passou cerca de dois dias circulando entre Belo Horizonte e Itabira. Nesse período, ela se hospedou em um hotel na Savassi, fez refeições em restaurantes, utilizou carros de aplicativo, realizou compras e vendeu joias roubadas da casa das vítimas.

Paola foi presa na madrugada do dia 2 de julho, em um hotel de Itabira, região Central do estado durante uma operação do Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri). Ela estava acompanhada do filho de 6 anos. Levantamentos indicaram que ela pretendia fugir para o estado do Rio Grande do Sul.

“Durante a ação, os policiais arrecadaram, entre outros materiais, R$ 18,8 mil, celulares, joias, semijoias, embalagens de relógios e joias, bolsas, perfumes, roupas, óculos e uma faca. Também foram apreendidos 165 comprimidos do medicamento que produz efeito sedativo em posse da investigada”, informa.

A reconstituição no apartamento onde ocorreu o crime foi um dos últimos passos do inquérito da PCMG, antes do indiciamento por duplo latrocínio. Paola Stefany decidiu participar da reconstituição e ao chegar ao local foi hostilizada por vizinhos e populares que passavam por lá. Ela foi xingada de “assassina” e “vagabunda”.

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