Trump considera permitir que Síria combata Hezbollah no Líbano

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Donald Trump e Ahmed al-Sharaa apertam as mãos em Ancara (Foto: Instagram)

Donald Trump declarou que a crise no Líbano, causada por confrontos entre Israel e Hezbollah, poderia ser resolvida pelo novo presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa. Trump está pensando em dar "sinal verde" para que ele substitua os israelenses no combate ao grupo. Esta declaração foi feita pelo líder dos Estados Unidos nesta quarta-feira (15/7) em entrevista à Fox News.

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Durante a entrevista, Trump foi questionado pelo jornalista Trey Yingst sobre a possibilidade de retirada das tropas israelenses do sul do Líbano. O presidente dos EUA mostrou-se favorável à ideia, afirmando que seria "bom" para Israel.

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QUEM É AHMED AL-SHARAA

  • Ahmed al-Sharaa é o presidente da Síria desde dezembro de 2024, após uma ofensiva de grupos paramilitares que depôs Bashar al-Assad.
  • Al-Sharaa teve por anos ligações com grupos terroristas, como o Estado Islâmico (ISIS) e a Al-Qaeda.
  • No início dos anos 2000, ele se juntou à Al-Qaeda no Iraque, durante a guerra liderada pelos EUA. Foi preso e enviado ao centro de detenção Camp Bucca, conhecido como "berço" do ISIS.
  • Em meados de 2010, foi enviado pelo líder do ISIS, Abu Bakr al-Baghdadi, para a Síria, onde fundou a Frente al-Nusra, afiliada ao ISIS.
  • Anos depois, al-Sharaa rompeu com o ISIS e alinhou seu grupo à Al-Qaeda. Em 2016, também cortou laços com a organização de Osama Bin Laden, formando o Hayat Tahrir al-Sham (HTS).
  • O HTS, apresentando-se como uma organização mais pragmática, foi responsável pela queda de Assad.
  • Ao assumir o poder, prometeu um governo menos truculento que o anterior.
  • Por isso, al-Sharaa tem recebido sinais positivos da comunidade internacional e se alinhado a países antes rivais, como os EUA.

Em vez das Forças de Defesa de Israel (FDI), Trump sugeriu que o novo governo sírio, liderado por Ahmed al-Sharaa, atue na região contra o Hezbollah. Segundo Trump, as forças sírias poderiam ser mais "precisas" do que os militares israelenses, frequentemente alvos de críticas por ataques a civis no Líbano.

"Ele [al-Sharaa] entraria e lidaria com o Hezbollah, e faria isso de uma forma diferente, sem derrubar prédios", afirmou Trump. "Estou pensando sobre isso [em dar sinal verde para a Síria agir]".

No mês passado, Trump já havia mencionado a possibilidade de envolvimento das forças sírias no Líbano. Durante a cúpula do G7 na França, criticou a atuação do governo de Benjamin Netanyahu contra o Hezbollah após as FDI atacarem Beirute, sugerindo a Síria como solução para o problema.

"Se Israel não consegue fazer o trabalho [lidar com o Hezbollah] sem matar todo mundo, a Síria deveria fazê-lo", declarou.

Poucos dias depois, o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, contatou o chanceler sírio, Assad Hassan al-Shaibani. Na conversa, discutiram cooperação entre Beirute e Damasco e as "agressões israelenses" contra o sul do Líbano, de acordo com a chancelaria síria.

A possível mudança no Líbano ocorre em meio a impasses nas negociações sobre um acordo de paz na guerra entre Israel e Hezbollah.

Na terça-feira (14/7), as negociações entre autoridades israelenses e libanesas foram retomadas em Roma, com o objetivo de implementar um acordo assinado em 26 de junho, que inclui o desarmamento do Hezbollah e a retirada das tropas das FDI do Líbano.

O Hezbollah, que tem forte atuação na sociedade e política libanesa, não participa das discussões. O grupo rejeita o acordo entre Beirute e Tel Aviv e afirma que não irá se desarmar.

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