
Perícia afasta estupro e aponta asfixia como causa da morte de Helena (Foto: Instagram)
A investigação sobre a morte da bebê Helena Almeida, de 10 meses, em Fortaleza (CE), tomou um novo rumo na sexta-feira (17/7) após a divulgação do laudo da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce). O exame oficial descartou a hipótese de violência sexual, indicando que a causa da morte foi asfixia mecânica indireta.
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Diante disso, a principal linha de investigação deixou de ser estupro de vulnerável seguido de morte. Agora, os investigadores se concentram em esclarecer como a asfixia ocorreu, quem foi o responsável pela morte e qual será o enquadramento criminal dos envolvidos.
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Essa mudança representa uma reviravolta em um caso que chamou a atenção do país desde segunda-feira (13/7). Naquela data, Helena foi levada já sem vida a um hospital particular em Fortaleza.
Durante o atendimento, médicos identificaram uma lesão anal compatível com violência sexual e notificaram as autoridades. Com base nesse relatório, Francisco Ray Magalhães, de 22 anos, que tinha um relacionamento com a mãe da vítima, e Roberto Levy Magalhães, de 26 anos, primo dele, foram presos em flagrante por suspeita de estupro de vulnerável, iniciando as investigações sob essa hipótese.
Quatro dias depois, a perícia oficial apresentou uma conclusão diferente. Além de não encontrar sinais de violência sexual, o exame não identificou sêmen nem material genético dos investigados no corpo da criança. Exames toxicológicos também descartaram a presença de álcool ou drogas no organismo da bebê. A conclusão foi que Helena morreu por asfixia mecânica indireta.
A investigação agora foca em reconstruir os últimos momentos de vida da criança para entender como ocorreu a asfixia. Os investigadores buscam responder onde Helena foi asfixiada, em que circunstâncias, quem estava com ela e se houve ação ou omissão dos adultos responsáveis.
Outro ponto a ser aprofundado é a divergência entre o relatório médico do hospital e o laudo da Pefoce. O documento médico descrevia uma laceração anal e indícios compatíveis com violência sexual, o que levou à prisão dos suspeitos. Já a perícia oficial concluiu que não houve abuso sexual.
A Polícia Civil deve esclarecer o que causou a lesão observada pelos médicos e se ela tem relação com a asfixia ou outro trauma.
O novo laudo também altera a tipificação jurídica do caso. Com a hipótese de estupro descartada, a investigação foi reclassificada como homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar. Essa classificação pode mudar se novas provas indicarem dolo ou violência.
Erisvaldo Almeida, pai de Helena, usou as redes sociais para culpar a mãe da criança pela morte. Em uma "carta aberta", ele afirmou que a filha estava sob os cuidados da mãe, Ysabelle Rodrigues, que a levou a um local onde havia consumo de álcool.
As prisões dos investigados não foram consideradas ilegais, mesmo com o estupro descartado. A autuação foi baseada nas informações disponíveis na época, especialmente no relatório médico. A conclusão da Pefoce destaca a importância da perícia oficial em casos de morte violenta.
O caso ainda está aberto, com a principal pergunta sem resposta: quem matou Helena? A Polícia Civil precisa esclarecer como a asfixia ocorreu, em que momento, se havia outras pessoas, quanto tempo a bebê ficou sem socorro e a participação de cada um dos presentes. Somente após essas respostas será possível definir a tipificação do crime.
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