Justiça de São Paulo nega habeas corpus liminar para Marcelly Peretto no caso da morte do irmão

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Réus e vítima em retratos oficiais no caso Peretto (Foto: Instagram)

A Justiça de São Paulo negou o pedido de habeas corpus liminar solicitado pela defesa de Marcelly Marlene Delfino Peretto, acusada de envolvimento na morte de seu irmão, o empresário Igor Peretto. A decisão foi divulgada na sexta-feira, 17 de julho de 2026. Embora o pedido de urgência tenha sido recusado, o habeas corpus ainda não foi analisado em definitivo pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

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Na prática, a negativa significa que a Justiça não atendeu ao pedido urgente da defesa antes da análise completa do caso. Os desembargadores ainda precisarão decidir se concedem ou não o habeas corpus.

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A defesa de Marcelly afirmou ao Metrópoles que a decisão se refere apenas à liminar e que o mérito do pedido ainda será julgado pelo TJSP. O juiz responsável pelo caso já forneceu as informações solicitadas pela instância superior e determinou que o processo aguarde o julgamento definitivo do habeas corpus, após a negativa do pedido liminar.

O empresário Igor Peretto, de 27 anos, foi assassinado em 31 de agosto de 2024, no apartamento de sua irmã Marcelly, em Praia Grande, litoral de São Paulo. Ele foi morto a facadas por Mário Vitorino, após supostamente descobrir que estava sendo traído por sua esposa, Rafaela Costa, que também é ex-namorada da vítima. Segundo o MPSP, os dois estavam em processo de separação.

Rafaela estaria envolvida com Mário Vitorino, amigo e sócio de Igor. Além disso, Mário e Marcelly, irmã da vítima, eram casados e também estavam se separando. De acordo com o depoimento de Rafaela à polícia, ela e Marcelly também eram amantes. Rafaela não estava no apartamento quando Igor foi morto, mas teria atraído a vítima ao local para ser executada, segundo o MPSP.

A Promotoria acredita que Igor foi assassinado por atrapalhar o triângulo amoroso, hipótese negada pela defesa dos réus. A investigação da Polícia Civil concluiu que não houve premeditação ou triângulo amoroso entre os suspeitos.

Igor foi morto em meio a uma complexa rede de traições, que lembra o poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade, dificultando a compreensão do caso. Igor e Marcelly Peretto são irmãos. Igor era casado com Rafaela, enquanto Marcelly era casada com Mário, que também era o melhor amigo de Igor.

Apesar disso, Mário teve um caso com Rafaela, que também se envolveu amorosamente com Marcelly. Igor, assassinado a facadas pelo cunhado e pela irmã, era o único que não sabia dos relacionamentos extraconjugais, segundo a investigação.

Marcelly Delfino Peretto, de 22 anos, e Mário Vitorino da Silva Neto, 25, são acusados de homicídio com três qualificadoras: motivo torpe, meio cruel e emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima. Rafaela Costa da Silva, viúva de Igor, foi denunciada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e presa, mas foi solta e desclassificada da denúncia pela Justiça.

Na manhã do crime, conforme a cronologia elaborada pela Polícia Civil, Marcelly e Rafaela chegaram ao Residencial Vogue, onde Marcelly tem um apartamento, às 4h32 do dia 31 de agosto de 2024. Antes, estavam em uma festa com Mário e Igor.

Por volta das 5h40, Rafaela saiu do apartamento de Marcelly e foi embora de carro. Apenas 13 segundos depois, Mário e Igor chegaram juntos ao prédio. Às 5h44, eles saíram do elevador em direção ao apartamento de Marcelly, onde Igor foi morto.

Um vídeo mostra os últimos momentos de Igor com vida.

Vinte minutos depois, às 6h04, Mário e Marcelly saíram pelas escadas do prédio em direção ao subsolo, onde estava o carro de Mário. Os depoimentos dos réus divergem sobre os detalhes do crime, mas a Polícia Civil concluiu que houve uma discussão entre o trio, e Mário desferiu golpes de faca em Igor, que morreu no local.

Após o homicídio, o cunhado e a irmã de Igor seguiram de carro para o apartamento de Mário. De lá, foram para a estrada, encontrando Rafaela às 8h48 no Posto Olá, no km 124 da Rodovia Governador Carvalho Pinto.

Uma hora depois, o trio chegou em Campos do Jordão (SP). Marcelly pegou um carro de aplicativo e voltou para a Praia Grande, enquanto Rafaela e Mário foram a um motel em Pindamonhangaba para que ele trocasse as roupas sujas de sangue.

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