
Senado encerra semestre com recesso em clima de tensão entre Alcolumbre e Lula (Foto: Instagram)
O Senado Federal encerra o semestre com um recesso após um período marcado por tensões entre Davi Alcolumbre, presidente da Casa, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Alcolumbre, do União Brasil-AP, conseguiu impor derrotas significativas ao governo, incluindo a rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, além de segurar pautas importantes e aprovar "pautas-bomba".
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O segundo ano de Alcolumbre na presidência começou com a expectativa da indicação de Messias, mas a resistência do senador foi evidente, especialmente após Lula não indicar Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado. Governistas esperavam uma redução das tensões, mas a crise acabou se intensificando.
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Para ganhar tempo, o governo adiou o envio da documentação de Messias até 1º de abril. Mesmo com tentativas de aproximação, a sabatina e a votação ocorreram rapidamente, e Messias foi derrotado no plenário após passar pela Comissão de Constituição e Justiça com 16 votos a favor e 11 contra.
O resultado de 29 de abril contou com a participação direta de Alcolumbre, que ligou para senadores aliados para garantir votos contrários ao indicado de Lula. Momentos antes do resultado, ele afirmou ao líder do governo que Messias perderia por oito votos.
A relação com Lula atingiu um ponto crítico. Após a rejeição de Messias, Alcolumbre continuou a impor derrotas ao Planalto e se aproximou mais da oposição, especialmente de Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência.
Um dia após a derrota de Messias, Alcolumbre convocou a sessão que derrubou o veto à dosimetria. Na Câmara, foram 318 votos pela derrubada e 144 pela manutenção, enquanto no Senado, 49 votos rejeitaram o veto e 24 apoiaram.
O semestre no Senado em números
- 258 matérias deliberadas
- 206 aprovadas, sendo 106 em plenário e 100 em comissões
- Uma matéria rejeitada e 50 prejudicadas, retiradas ou com validade vencida
- 38 indicações aprovadas e uma, a de Messias, rejeitada
- 107 sessões realizadas
- 38 sessões deliberativas
PROPOSTAS DE CAMPANHA PARADAS
Além das derrotas simbólicas, a relação desgastada entre o Legislativo e o Executivo ficou evidente na tramitação das propostas prioritárias para o governo Lula. Alcolumbre não despachou matérias importantes como a PEC da Segurança Pública e o PL dos Minerais Críticos.
A redução da carga horária de 44 para 40 horas foi aprovada na Câmara, mas está parada no Senado, gerando críticas ao presidente Alcolumbre. Ele tem afirmado que dará um tempo "razoável" para deliberação e que a Casa Alta não deve apenas carimbar decisões da Câmara. Antes de iniciar o rito, Alcolumbre tem se reunido com empresários e sindicalistas.
Nas semanas anteriores ao recesso, Alcolumbre reagiu a críticas de aliados do governo, especialmente após uma declaração do líder do PT na Câmara, Pedro Uczai. Alcolumbre enfatizou que não tolerará intimidações e que a definição da pauta é prerrogativa constitucional da Presidência.
PAUTAS-BOMBA
O Senado também impôs derrotas ao governo Lula na área fiscal, com propostas que impactam as contas públicas, como a renegociação de dívidas rurais e o reajuste dos pisos salariais para médicos e dentistas, com um custo previsto de R$ 250 bilhões em uma década.
A equipe econômica tentou segurar as propostas, mas não teve sucesso. Alcolumbre afirmou que se comprometeu a votar as propostas com líderes partidários e que não deveria ser chamado de "o homem das pautas-bomba".
Apesar do saldo negativo para o governo no Senado, algumas articulações podem começar a dar frutos. Uma das pautas-bomba, a PEC dos agentes, deverá ser promulgada por Alcolumbre somente no final do ano, após reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Como mostrado pelo Metrópoles, as ações de Alcolumbre dividem opiniões no governo. Alguns veem disposição em colaborar com propostas do governo no próximo semestre, enquanto outros esperam mais gestos de Alcolumbre em direção a Lula.
Alcolumbre também aliviou a pressão sobre o governo ao cancelar a sessão do Congresso para análise de quase 50 vetos, marcada para 18 de junho, devido à falta de acordo entre o governo e os partidos.







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