André Perugia: O Pioneiro do Design de Calçados e Seu Legado Duradouro

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Sandália em forma de peixe criada por André Perugia em 1955. (Foto: Instagram)

Os sapatos que parecem verdadeiras obras de arte se tornaram praticamente um gênero à parte nas passarelas modernas. Com formas surpreendentes e referências artísticas inusitadas, essas criações dominam as coleções de hoje. No entanto, essa abordagem não é nova. Nos anos 1920, o sapateiro franco-italiano André Perugia já tratava cada par como uma escultura usável, bem antes de isso se tornar uma tendência.

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Embora não tenha alcançado a fama de Salvatore Ferragamo ou Roger Vivier, André Perugia é visto como um dos pioneiros no design de calçados. Suas formas inovadoras e saltos esculturais são referências para designers como Manolo Blahnik e Christian Louboutin, além de inspirarem marcas mais experimentais, como Saint Laurent e Jacquemus.

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Antes de se dedicar ao design de sapatos, Perugia trabalhou em uma fábrica de aviões durante a Primeira Guerra Mundial, onde aprendeu sobre distribuição de peso e precisão estrutural, conceitos que aplicou em seus calçados. Filho de um sapateiro, abriu sua própria loja na adolescência, antes de ser descoberto pelo estilista Paul Poiret, que o levou a Paris.

A colaboração com Paul Poiret resultou, em 1923, em uma das primeiras incursões de Perugia no mundo das máscaras: um par inspirado no pintor Amedeo Modigliani. No ano seguinte, expandiu o conceito com calçados com recortes triangulares que lembravam o Arlequim, um personagem da Commedia dell’Arte.

A coleção dialogava tanto com o universo de Poiret quanto com o de Pablo Picasso, que retratou seu filho como Arlequim. Isso mostra como as vanguardas artísticas influenciavam a moda nos anos 1920. Perugia chocava a indústria com sapatos cobertos de strass e saltos inusitados, aprofundando essa linguagem a partir de 1930, quando começou a colaborar com Elsa Schiaparelli.

Uma sandália criada por Perugia inspirou o icônico Shoe Hat, desenvolvido por Elsa e Salvador Dalí em 1937. No ano seguinte, Perugia e Elsa criaram botas de pelo de macaco, inspiradas em René Magritte, simbolizando o surrealismo na moda. Em 1939, lançaram as Three Sphere Sandals, reforçando a ideia de calçado como escultura.

O apreço de Perugia por homenagear artistas perdurou por toda sua carreira. Em 1955, criou o sapato-peixe em homenagem a Georges Braque e, na mesma década, um modelo inspirado em Fernand Léger, recuperado por Daniel Roseberry na Schiaparelli em 2021.

Em 1953, Perugia desenvolveu a Sandália Cubista com Andy Warhol, homenageando Picasso. Décadas depois, pesquisadores notaram semelhanças com a Hero Sandal de Stefano Pilati para Yves Saint Laurent, embora sem confirmação de inspiração direta.

Por trás da estética inovadora, havia um espírito inventor. Em 1942, Perugia patenteou um solado articulado de madeira, criado para contornar a falta de couro na Segunda Guerra Mundial. Em 1956, lançou com a I. Miller um sistema de saltos intercambiáveis, permitindo mudar o visual do calçado sem trocar de par.

Apesar de não conquistar o público, a invenção inspirou designers posteriores. Perugia escreveu "From Eve to Rita Hayworth", defendendo que a personalidade de uma mulher podia ser revelada pelo formato de seus pés. Suas criações estão em acervos de museus como o Metropolitan Museum of Art e o Victoria and Albert Museum. Em 2025, o Bata Shoe Museum inaugurou a exposição "André Perugia: A Design Legend Unveiled", em cartaz até abril de 2027.

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