Hospital de Base do DF interrompe consultas de reumatologia e preocupa pacientes

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Ambulância em frente à entrada de emergência do Hospital de Base do DF (Foto: Instagram)

O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) interrompeu recentemente as consultas no ambulatório de reumatologia devido à falta de médicos para atender a população local. O Instituto de Gestão Estratégica em Saúde do DF (Iges-DF) confirmou a suspensão das consultas.

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De acordo com o Iges-DF, a suspensão ocorreu devido a uma "reorganização assistencial" necessária após afastamentos prolongados, tanto definitivos quanto temporários, dos profissionais da especialidade. Isso impactou o número de funcionários disponíveis.

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Atualmente, apenas pacientes com doenças imunomediadas mais complexas, como lúpus eritematoso sistêmico, vasculites, artrite reumatoide e espondiloartrites, recebem atendimento no Hospital de Base.

QUASE 4 MIL AGUARDAM CONSULTA
Enquanto isso, a fila para uma consulta continua a crescer. Até julho deste ano, cerca de 3,7 mil pessoas aguardavam atendimento com um reumatologista, segundo o mapa social do Ministério Público do DF (MPDFT).

Rosilda da Cunha, de 57 anos, é uma das pacientes na fila. Ela relatou ao Metrópoles que sua última consulta no Hospital de Base foi em agosto de 2025 e que desde então está esperando um retorno. Rosilda sofre de fibromialgia e sente muitas dores.

"Minha consulta de retorno seria em dezembro de 2025. Quando voltei, me informaram: 'Não, não estamos mais atendendo pacientes com fibromialgia. Os atendimentos para fibromialgia no Base foram cancelados'", disse Rosilda.

A continuidade no acompanhamento com um reumatologista é crucial para Rosilda, que recentemente passou por uma cirurgia. Os médicos da Rede Sarah, onde foi operada, insistem na importância do acompanhamento. Sem o suporte necessário, ela corre o risco de perder a vaga.

"Nesta terça-feira (21/7), retorno ao meu médico, mas não tenho o que dizer. Pacientes com fibromialgia precisam de acompanhamento reumatológico. Sem isso, eles não nos acompanham. Tenho medo de perder meu tratamento no Sarah por causa disso", lamenta.

O Hospital de Base conta com apenas 15 médicos reumatologistas, incluindo a chefia do setor. Em nota, o Iges declarou que "a recomposição da carga horária da especialidade está em andamento, visando aumentar gradualmente a oferta de consultas e garantir a continuidade do atendimento aos pacientes".

OUTRAS ÁREAS AFETADAS
Conforme o Mapa Social do MPDFT, 3.185 pessoas aguardam por uma consulta em psiquiatria, com tempo de espera superior a 90 dias.

A demanda por oftalmologia é ainda maior: 13.898 pessoas esperam em uma fila com espera de até 72 dias.

O Iges informa que suas unidades contam com 32 psiquiatras, sendo 30 no Hospital de Base. O Instituto, responsável também pelo Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) e pelo Hospital da Cidade do Sol (Hsol), não divulgou o número de servidores nessas unidades.

Em relação aos oftalmologistas, o Instituto possui 30 médicos, 10 deles cedidos pela Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), com 28 atuando no Base.

O Iges afirmou que "as consultas eletivas em psiquiatria e oftalmologia são reguladas pelo complexo regulador da SES-DF, que gerencia as filas de espera e o encaminhamento dos pacientes às unidades da rede". "Portanto, o IgesDF não gerencia a fila de pacientes que aguardam consultas nessas especialidades", conclui a nota.

Sobre contratações, o Iges-DF informou que finalizou um processo seletivo para dez novos psicólogos; que possui 15 psiquiatras convocados em cadastro reserva; e que está tomando medidas para abrir novos processos seletivos conforme a necessidade dos serviços e a disponibilidade orçamentária.

Duas mortes em junho

O DF tem registrado casos de grande repercussão negativa na rede pública de saúde. Em junho deste ano, duas pessoas faleceram esperando atendimento.

No dia 20 de junho, Vilmar da Silva, de 49 anos, morreu enquanto aguardava atendimento sentado em uma cadeira de rodas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas.

Uma testemunha, que preferiu não se identificar, relatou ao Metrópoles que estava na unidade de saúde com a filha. "Em um momento, alguém disse que um senhor não apresentava sinais vitais. Minha esposa, que é enfermeira, verificou o pulso do paciente e constatou o óbito", afirmou.

Ainda segundo o relato, a equipe de plantão da UPA foi informada, mas um enfermeiro teria negado o falecimento. "Acreditamos que essa postura fosse uma estratégia para remover o corpo da área de espera e declarar o óbito posteriormente, como se o paciente tivesse recebido assistência", observou.

Menos de um mês depois, em 12 de julho, Rodrigo Resende Prado, de 46 anos, morreu enquanto aguardava atendimento no pronto-socorro do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). A morte ocorreu após ele sofrer um mal súbito na entrada do hospital.

Uma equipe de apoio do hospital tentou reanimar o homem com massagem cardíaca, mas ele não resistiu.

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