Psicóloga Candice Galvão destaca sinais de relacionamentos tóxicos

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Entre silêncios e desculpas: quando o amor rouba quem somos (Foto: Instagram)

Para quem está em um relacionamento tóxico, nem sempre é simples perceber quais comportamentos fazem uma pessoa se afastar de sua própria essência e desejos. A psicóloga Candice Galvão explica que o "despertar" de um vínculo destrutivo não acontece instantaneamente, mas sim quando há um reconhecimento: "Quem me tornei após esse envolvimento?".

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Em entrevista à coluna Claudia Meireles, a especialista esclarece que as conexões disfuncionais tendem a se revelar gradualmente. Segundo ela, um dos parceiros pode se sentir pressionado a fazer pequenas concessões, lidar com justificativas e silêncios, e se adaptar a situações desgastantes.

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A ficção também tem abordado esse cenário com precisão. Na trama Quem Ama Cuida, a personagem Elenice, vivida por Mariana Sena, está tão emocionalmente envolvida com o marido Tom, interpretado por Allan Souza Lima, que não percebe o abuso psicológico e a manipulação na relação. Para manter a harmonia, ela constantemente se desculpa por erros que não cometeu.

Para a psicóloga, os sinais de uma relação abusiva nem sempre são evidentes nas ações do parceiro. "Normalmente, notamos mudanças dentro de nós", destaca Candice. Um dos grandes alertas, segundo ela, é quando um dos parceiros começa a se sentir constantemente insuficiente, pedindo desculpas o tempo todo e temendo a reação do outro.

Outro fator preocupante é o afastamento da rede de apoio. A pessoa deixa de conviver com amigos e familiares e se distancia de seus próprios interesses. "Talvez a pergunta mais importante não seja: 'Meu relacionamento é tóxico?', mas sim: 'Quem me tornei dentro dessa relação?'", questiona.

Se houver qualquer tipo de violência física ou ameaça, o plano de saída deve ser feito com ajuda profissional para garantir a integridade física. Algumas perguntas podem ajudar na percepção de que o convívio não é saudável, como se a pessoa ainda se sente livre para ser quem é e se consegue expressar suas opiniões sem medo.

Outro ponto crucial é avaliar se o indivíduo passa mais tempo tentando manter a relação do que realmente vivenciando-a. "Na psicologia, entendemos que os vínculos participam da construção da nossa identidade. Um relacionamento saudável amplia nossas possibilidades de existir. Já um relacionamento adoecedor, aos poucos, vai estreitando esse espaço", reflete a psicóloga.

Quando o assunto é sair de um relacionamento tóxico, Candice Galvão afirma que essa é uma das perguntas mais difíceis de responder. "Quem nunca viveu uma relação assim costuma perguntar: 'Por que ela não vai embora?'. A pessoa que está dentro, no entanto, geralmente se pergunta: 'Será que eu vou conseguir viver sem essa pessoa?'", pondera.

Segundo a especialista, a dependência emocional não nasce da falta de amor próprio, mas é construída por uma combinação de fatores como histórias de vida, medo da solidão, necessidade de pertencimento e experiências anteriores, além da própria dinâmica da relação.

É essa mistura de sentimentos que pode tornar o rompimento tão difícil. Para Candice, deixar uma relação adoecedora não significa apenas terminar um namoro ou casamento, mas sim reconstruir a confiança em si mesmo e redescobrir quem é fora daquele vínculo.

Diante de um cenário tóxico, Candice reforça a importância de recorrer a pessoas de confiança. "De maneira nenhuma isso é um sinal de fraqueza", ressalta. Seguir novos caminhos é mais viável quando não estamos sozinhos, pois o amor não deveria exigir que você se abandonasse para continuar pertencendo.