
Quadrilha usava SUV para transportar remédios oncológicos roubados (Foto: Instagram)
Investigações da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) revelam que medicamentos oncológicos roubados por uma quadrilha no estado abasteciam a rede pública de saúde através de licitações na modalidade de tomada de preços. Em um ano, o esquema movimentou mais de R$ 33 milhões.
++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos
Nesta terça-feira (21/7), a Operação Metástase foi lançada para desmantelar a quadrilha acusada de roubar cargas de medicamentos de alto custo para tratamento de câncer. O grupo é suspeito de ter realizado pelo menos 20 roubos de cargas nos últimos seis meses.
++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro
A operação também teve como objetivo cumprir mandados de prisão temporária contra os principais líderes do grupo. Entre os alvos estão Marlon Holanda Oliveira e Ronald Gonçalves da Silva, conhecido como “Talarico”, apontados como chefes do núcleo de roubos, além de Fernanda Rodrigues França e Umberto Xavier de Lima, do núcleo logístico-financeiro intermediário, e Stefano Montovani Fernandes, chefe do núcleo logístico-financeiro final.
MODUS OPERANDI
Durante meses de investigação, policiais reconstruíram toda a estrutura da organização criminosa e desvendaram o modo de operação da quadrilha.
As equipes identificaram diferentes núcleos, cada um responsável por uma fase do esquema: o de roubadores; o logístico-financeiro intermediário; o logístico-financeiro final; e o de suporte territorial.
A investigação revelou que o esquema ia além do roubo das cargas. Após os assaltos, realizados por criminosos fortemente armados, os medicamentos eram levados para áreas controladas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), no Complexo da Maré, onde a carga era redistribuída.
A facção criminosa oferecia suporte territorial ao grupo, garantindo proteção armada aos roubadores. Outro núcleo era responsável pelo armazenamento, fracionamento e envio dos medicamentos. Para ocultar a origem dos produtos e encaminhá-los aos receptadores finais em diferentes estados, os investigados utilizavam empresas de fachada, transportadoras, entregadores e “laranjas”.
As investigações também identificaram membros que aliciavam funcionários de transportadoras para obter informações privilegiadas sobre rotas e cargas.
De acordo com a Polícia Civil, após os roubos, os medicamentos eram reinseridos no mercado por meio de empresas de fachada. Em alguns casos, os produtos retornavam à rede pública de saúde, adquiridos via licitações na modalidade de tomada de preços.
A investigação aponta que cerca de 25 empresas de fachada, localizadas no Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará, integravam o esquema financeiro da organização. Elas eram usadas para emitir documentos fiscais, receber pagamentos e dar aparência de legalidade aos medicamentos roubados, vendidos por valores abaixo dos praticados no mercado.
A PCERJ alerta que o esquema representava um risco direto à saúde pública. “Medicamentos oncológicos e imunossupressores precisam ser mantidos sob rígido controle de temperatura durante o transporte. Quando armazenados de forma inadequada, podem perder a eficácia, sofrer contaminação ou até colocar pacientes em risco”, declarou a corporação em nota.
A operação mobiliza equipes da DRFC-CAP, da Core, departamentos especializados da Polícia Civil, da Polícia Militar e conta com apoio das polícias civis de São Paulo, Goiás e Pará, além da Rede Cargas, do Ministério da Justiça.
As investigações continuam para identificar outros membros da organização e o destino final dos medicamentos roubados.






