
Militantes houthis exibem armas durante anúncio de bloqueio no estreito de Bab el-Mandeb (Foto: Instagram)
O anúncio dos Houthis de um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita intensificou a crise no Oriente Médio, criando, indiretamente, uma nova frente de conflito na região, que já enfrenta tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã.
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Na manhã de segunda-feira (20/7), o porta-voz do grupo iemenita declarou que a medida era uma reação direta ao cerco saudita imposto ao Iêmen.
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“As Forças Armadas do Iêmen [Houthis] anunciam um embargo marítimo contra o inimigo saudita, criminoso, baseado na equação de “olho por olho”, que entra em vigor imediatamente após a divulgação desta declaração”, disse Yahya Saree.
O bloqueio será realizado no Estreito de Bab el-Mandeb, uma rota comercial crucial do Oriente Médio na costa do Iêmen, controlada amplamente pelos Houthis. A área conecta o Mar Vermelho ao Oceano Índico e vinha sendo utilizada pela Arábia Saudita como alternativa ao fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.
ENTENDA A RELAÇÃO ENTRE HOUTHIS E ARÁBIA SAUDITA
- Desde 2014, os Houthis controlam parte do norte do Iêmen. Na época, o grupo aproveitou a instabilidade política no país para avançar e tomar territórios antes sob controle das forças governamentais.
- Em 2015, a Arábia Saudita formou a Coalizão para Restaurar a Legitimidade no Iêmen, visando combater o avanço do grupo iemenita, apoiado pelo Irã, seu principal rival na região.
- Em 2022, após cerca de oito anos de intensos combates, a ONU mediou um cessar-fogo entre as partes envolvidas na guerra civil. A trégua se manteve relativamente estável, apesar de episódios esporádicos de tensões entre os Houthis e forças sauditas.
- Apesar dos esforços sauditas, o grupo iemenita ainda controla cerca de 28% do território iemenita.
Poucas horas após o anúncio dos Houthis, o porta-voz da coalizão internacional que atua contra o grupo desde 2015, major Turki al-Malki, afirmou que aliados tomarão medidas “firmes e resolutas” para assegurar a passagem de embarcações sauditas pelo Estreito de Bab el-Mandeb.
A tensão militar no Iêmen também tem reflexos diretos na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Isso porque os Houthis, parte do chamado Eixo da Resistência, recebem forte apoio de Teerã e adotaram ações retaliatórias em defesa dos interesses iranianos.
Em março, por exemplo, o grupo iemenita voltou a lançar ataques contra o território israelense em apoio ao Irã.
Devido à ligação com os Houthis, o Irã também já ameaçou bloquear o Estreito de Bab el-Mandeb em resposta aos recentes ataques dos EUA, o que poderia afetar ainda mais o transporte de petróleo e gás natural na região.
Analistas explicam ao Metrópoles que o grupo iemenita adota uma postura semelhante à do Irã, que usou o Estreito de Ormuz como arma de guerra contra os norte-americanos.
“A principal questão será a comercial, já que a Arábia Saudita é um dos grandes produtores mundiais de petróleo”, explica Paulo Cesar Rebello, doutor em Política Comparada pela Universidade de Salamanca.
“Apesar do foco na questão armada, que obviamente merece atenção e é grave, a consequência comercial é muito mais latente. Ela parece ser o motor desse conflito na região. Assim como o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz em resposta aos ataques dos EUA, os Houthis bloqueiam Bab el-Mandeb devido às ações sauditas”, acrescenta.
TENSÃO SE ARRASTA DESDE A ÚLTIMA SEMANA
A tensão entre os Houthis e a Arábia Saudita persiste desde o início da última semana. O grupo iemenita acusou forças sauditas de atacarem o Aeroporto Internacional de Sanaa, na capital do Iêmen.
A operação no aeroporto, que visava impedir o pouso de um avião vindo do Irã, foi reivindicada pelo Ministério da Defesa do Iêmen, apoiado pelos sauditas e reconhecido internacionalmente como a força de facto do país.
Mesmo assim, os Houthis lançaram mísseis e drones contra o Aeroporto Internacional de Abha, localizado no sul da Arábia Saudita.






