Tio descreve capitã da PM morta em BH como “alegre e amável”; marido é suspeito

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Velório da capitã da PMMG Michele Leão Azevedo em Belo Horizonte (Foto: Instagram)

Belo Horizonte – Durante o velório da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Michele Leão Azevedo, realizado nesta quarta-feira (22/7) na capital mineira, familiares a descreveram como uma pessoa "muito alegre, sempre divertida e amável". O principal suspeito do crime é o marido dela, o 3º sargento da PMMG Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos.

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A cerimônia de despedida aconteceu das 9h às 15h na Capela da Funerária Dom Bosco, situada na Rua Formiga, nº 82, no bairro Lagoinha. O enterro está programado para as 16h no Cemitério da Paz, na Região Noroeste de Belo Horizonte.

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“Qualquer foto dela, qualquer imagem, qualquer vídeo, especialmente com o filho, mostra como ela sempre se dedicou a ele. Mesmo com a profissão exigente, que a mantinha sempre à disposição da polícia, ela buscava todos os momentos possíveis para estar com o filho”, relatou Marlon Leão, tio da capitã.

Respeitada na corporação, Michele entrou na PMMG em 2004 e estava casada com o sargento Eduardo há cerca de oito anos. Ao longo de sua carreira, destacou-se com diversos cursos na área de defesa e segurança pública, incluindo o curso de formação complementar de Multiplicador de Direitos Humanos pela PMMG e uma especialização em Docência do Ensino Superior pelo Instituto Federal do Sul de Minas (IFSULDEMINAS).

RELACIONAMENTO ABUSIVO
De acordo com o depoimento da mãe da vítima à Polícia Civil, Michele vivia em um relacionamento considerado abusivo. A mãe afirmou que a filha era frequentemente humilhada pelo marido, que exercia controle sobre sua vida e a manipulava emocionalmente. Michele tentava terminar o relacionamento, mas o sargento não aceitava a separação. O tio confirmou essa versão e declarou que o sargento “sempre foi muito agressivo” com ela.

SARGENTO FICARÁ PRESO
Eduardo Abner teve sua prisão em flagrante convertida em preventiva após audiência de custódia também realizada nesta quarta-feira (22/7). O procedimento ocorreu na Central de Audiência de Custódia da Comarca de Belo Horizonte (Ceac-BH), no bairro Lagoinha. O juiz Antônio Francisco Gonçalves determinou a prisão preventiva por entender que “a segregação cautelar era necessária para a garantia da ordem pública”. A pedido da defesa, o caso foi colocado sob sigilo pela Justiça para “resguardar direitos fundamentais, como a intimidade e a vida privada dos envolvidos”. A defesa de Eduardo informou que irá recorrer.

ENTENDA O CASO
Eduardo foi preso em flagrante na noite de segunda-feira (20/7) após levar a esposa, capitã Michele, já sem vida, ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte. Lotado no 1º Batalhão da PMMG, ele estava detido no 34º Batalhão da corporação. Em depoimento, o sargento alegou que ambos consumiram bebidas alcoólicas e ecstasy, e que Michele teria caído de uma escada após práticas sexuais consensuais que incluíam agressões. Ele afirmou que a capitã recusou atendimento médico e faleceu horas depois.

A versão foi contestada pela Polícia Civil, que encontrou múltiplas lesões no corpo da vítima, incluindo marcas de chicotadas e um grave ferimento no rosto. A investigação também apura relatos de familiares sobre um histórico de relacionamento abusivo. Durante o atendimento no hospital, Eduardo foi flagrado tentando descartar uma caixa com 18 comprimidos de ecstasy em uma lixeira, pelo que também está sendo acusado de tráfico de drogas. O caso continua sob investigação pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, que aguarda os laudos periciais para esclarecer a dinâmica da morte da capitã.