
CFO da Americanas, André Covre, denuncia fraude em reunião interna (Foto: Instagram)
Sete dias antes de a Americanas comunicar ao mercado um rombo contábil bilionário, um dos maiores escândalos corporativos do Brasil, uma reunião interna alterou o curso da empresa. De acordo com decisão da Justiça Federal à qual a coluna teve acesso, André Covre, recém-nomeado diretor financeiro, reagiu ao descobrir as irregularidades e declarou: “Isso é fraude”.
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Ainda conforme a investigação da Polícia Federal reproduzida no documento, ele alertou os presentes: “Vocês vão ser processados e presos”. O incidente aconteceu no início de janeiro de 2023, poucos dias após Covre assumir o cargo por indicação de Paulo Lemann.
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Segundo a decisão, a Polícia Federal afirma que o executivo entrou na companhia sem conhecimento das manipulações contábeis em investigação e foi confrontado com a verdadeira situação financeira da empresa durante reunião com membros da antiga diretoria.
Na semana seguinte, em 11 de janeiro, a Americanas divulgou um fato relevante ao mercado informando a existência de “inconsistências contábeis”, que posteriormente deram início a uma investigação da PF e do Ministério Público Federal sobre um suposto esquema de fraude que teria durado mais de uma década.
A investigação aponta que as irregularidades consistiam em mecanismos que, em tese, ocultavam o verdadeiro endividamento da companhia e inflavam artificialmente os indicadores financeiros apresentados ao mercado.
A Polícia Federal argumenta que essas práticas permitiam que os balanços mostrassem uma situação patrimonial mais favorável do que a real, influenciando investidores e a negociação das ações da empresa.
A decisão examinada pela coluna faz parte de um novo ramo da investigação, focado em apurar a possível participação de acionistas de referência e representantes de instituições financeiras.
Foi nesse contexto que, conforme a representação policial reproduzida na decisão, André Covre recebeu uma apresentação preparada pelo então diretor Marcelo Nunes sobre as operações contábeis sob investigação.
O documento relata que, ao tomar conhecimento do conteúdo, o executivo interrompeu a reunião, levantou-se e afirmou: “Isso é fraude”. Em seguida, dirigindo-se aos presentes, teria dito: “Vocês vão ser processados e presos”.
A representação afirma que, a partir daquele momento, as práticas deixaram de ser tratadas internamente como possíveis ajustes ou inconsistências contábeis e passaram a ser vistas como potenciais ilícitos.
Ainda segundo o documento, o então presidente da Americanas, Sérgio Rial, pediu que Covre mantivesse a calma e evitasse conclusões precipitadas.
Mesmo assim, segundo a PF, o diretor financeiro começou a exigir um levantamento detalhado das operações investigadas, incluindo dívidas com fornecedores, contratos de risco sacado, obrigações bancárias e outros passivos da companhia.
A decisão também registra que, no dia seguinte à reunião, a empresa contratou o escritório de advocacia Barbosa, Müssnich, Aragão (BMA), medida vista pela investigação como uma demonstração da necessidade imediata de assessoria jurídica especializada.
A Polícia Federal afirma ainda que a postura de Covre diferiu daquela atribuída aos executivos investigados. Conforme a representação, enquanto integrantes da gestão anterior demonstravam familiaridade com as práticas sob apuração, o então diretor financeiro manteve uma postura investigativa, solicitando documentos, planilhas e informações detalhadas sobre o endividamento da empresa e participando das discussões que antecederam a divulgação do fato ao mercado, em 11 de janeiro de 2023.






