El Niño trará calor intenso e chuvas irregulares ao Sudeste, prevê Inmet

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Pedestre se protege do sol intenso com guarda-chuva em Belo Horizonte durante onda de calor (Foto: Instagram)

Belo Horizonte – O fenômeno El Niño deverá impactar mais as temperaturas do Sudeste do que o volume de chuvas nos próximos meses. De acordo com Lizandro Gemiacki, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), é esperado que o calor fique acima do normal, especialmente entre o final do inverno e a primavera.

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Conforme Lizandro, a quantidade de chuva no Sudeste deve se manter próxima à média climatológica. Contudo, o fenômeno altera a forma como essas precipitações ocorrem. Em vez de períodos longos de chuva, a tendência é que tempestades rápidas ocorram mais, principalmente no fim da tarde e à noite, devido ao aumento de calor na atmosfera.

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“A expectativa é de uma quantidade de chuva dentro da climatologia, mas o El Niño muda a origem das precipitações. Assim, no final do inverno e início da primavera, devemos ter temperaturas mais altas, mais ondas de calor e tempestades de fim de tarde e noite, graças à maior convecção”, explica Lizandro.

Ainda segundo o meteorologista, o começo da estação chuvosa, entre setembro e início de novembro, deve apresentar irregularidade nas precipitações. O principal efeito do El Niño na região será o aumento das temperaturas, gerando mais energia para a formação de pancadas isoladas.

“No início da estação chuvosa, agora em setembro, outubro, até início de novembro, haverá muita irregularidade nas chuvas, e a força do calor será sentida. Geralmente, as temperaturas são mais altas com o El Niño na região sudeste. O impacto mais percebido é o aumento das temperaturas”, afirma Gemiacki.

A meteorologista Anete Fernandes, do Inmet, destaca que alguns comportamentos recentes já indicam o cenário esperado para os próximos meses. Ela explica que a sucessão de frentes frias sobre a Região Sul tem elevado as temperaturas no Sudeste antes de seguirem para o oceano.

Ela observa que essa situação é comum no inverno, mas a persistência de chuvas intensas e tempo severo no Sul pode ser um prenúncio das condições associadas ao El Niño. No entanto, ainda não é possível afirmar que o calor atual seja uma consequência direta do fenômeno.

“Chuvas intensas no sul e temperaturas elevadas aqui são esperadas, principalmente a partir de agosto. Não se pode afirmar que as temperaturas atuais são influência do El Niño, mas é um prenúncio do que está por vir”, analisa Anete.

Anete explica que o El Niño é caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico equatorial. Essa região influencia diretamente a circulação global da atmosfera, modificando o deslocamento das massas de ar e interferindo nas condições climáticas em várias partes do planeta.

Segundo ela, essa mudança faz com que as frentes frias permaneçam mais tempo sobre a Região Sul, favorecendo chuvas intensas. Enquanto isso, o Sudeste tende a enfrentar temperaturas mais altas e uma estação chuvosa mais irregular.

Para os próximos meses, espera-se um fim de inverno e uma primavera com calor intenso, sem descartar ondas de calor como as de 2023. Também são previstas chuvas concentradas em pancadas isoladas e menor frequência da Zona de Convergência do Atlântico Sul, que normalmente provoca chuvas contínuas.

“Esperamos uma primavera e final de inverno muito quentes, com possibilidade de ondas de calor como em 2023, e uma estação chuvosa irregular, com chuvas em pancadas isoladas e menos influência da Zona de Convergência do Atlântico Sul”, explica Anete.

Apesar dos sinais, Anete reforça que o cenário ainda pode ser visto como típico do inverno. As condições atuais indicam o que pode ocorrer nos próximos meses, mas ainda não permitem atribuir diretamente os eventos ao El Niño.

O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), está sendo cobrado a responder sobre medidas preventivas que a prefeitura está tomando para enfrentar as consequências do El Niño, com foco em grupos vulneráveis.

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) terá 30 dias para responder a um requerimento aprovado pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa dos Animais e Política Urbana da Câmara de BH, de autoria do vereador Helton Júnior (PSD).

O requerimento reitera uma solicitação anterior não respondida no prazo legal de 30 dias, e busca saber se medidas já estão em andamento, como proteção a estudantes e usuários do transporte coletivo, garantindo acesso à água potável, abrigo contra chuvas e sol, e sistemas de climatização.

O Metrópoles questionou a prefeitura sobre o requerimento, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.