
PCC e CV exploram programa Desenrola Brasil em fraudes digitais, alerta TCU (Foto: Instagram)
A ousadia das duas maiores facções criminosas do Brasil ultrapassou há tempos os limites do tráfico de armas e drogas. Uma recente auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) montaram uma complexa rede de fraudes digitais para retirar dinheiro diretamente dos brasileiros. A estratégia utiliza os programas sociais do Governo Federal, como o Desenrola Brasil, como "isca".
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A auditoria do tribunal forneceu um raio-X detalhado da operação cibernética entre os dias 10 e 21 de janeiro de 2025, período em que os auditores identificaram e analisaram 1.770 anúncios fraudulentos. As facções se aproveitaram da vulnerabilidade financeira das vítimas e das recentes mudanças nas regras de envio de dados de transações Pix à Receita Federal para criar uma falsa sensação de urgência.
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A sofisticação do esquema impressionou os auditores do órgão de controle. Para dar aparência de legitimidade aos golpes e enganar as vítimas, os anúncios pagos nas redes sociais utilizavam um arsenal visual elaborado. Impressionantes 83,2% dos anúncios fraudulentos analisados usavam logotipos oficiais, cores do governo federal e artes institucionais copiadas de bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal.
Além disso, os criminosos usaram recursos de Inteligência Artificial para manipular a imagem e a voz de lideranças políticas, simulando anúncios reais sobre benefícios públicos, acompanhados de fotos sugestivas como pessoas em longas filas de bancos para induzir o cidadão a buscar facilidades digitais.
Os alvos foram escolhidos entre os principais programas da gestão federal. No caso do Desenrola Brasil, cujas fraudes circulavam ao menos desde 7 de julho de 2024, as peças prometiam “limpar o nome” e resolver a situação financeira de inadimplentes, fazendo com que a vítima informasse dados pessoais e pagasse taxas via Pix.
No Voa Brasil, alvo de golpes desde 25 de julho de 2024, logo após seu lançamento oficial, os criminosos mobilizavam aposentados do INSS a fazerem falsas consultas de elegibilidade e a comprarem passagens aéreas inexistentes. O esquema ainda englobava falsos anúncios sobre valores a receber e serviços do Banco Central.
O relatório do TCU faz um alerta crítico para o impacto social e a perversidade dessa modalidade criminosa. O público-alvo dos programas clonados é composto prioritariamente por aposentados e famílias de orçamento restrito, parcelas da população com menor letramento digital e maior necessidade de acessar serviços estatais.
Ao caírem no conto da renegociação de dívidas ou da passagem acessível, as vítimas não apenas fornecem seus dados pessoais para redes de clonagem de cartões e fraudes no WhatsApp, como transferem economias inteiras via Pix diretamente para as contas bancárias operadas pelo narcotráfico.
A migração de braços do PCC e do CV para o ecossistema de golpes digitais demonstra a rápida capacidade de adaptação do crime organizado, que agora usa a infraestrutura da internet e a imagem do próprio Estado para financiar suas operações.






