
Perfil do tenente Pimentel exibido em smartphone, com viatura da Rota ao fundo em São Caetano do Sul. (Foto: Instagram)
No dia em que o tenente Ronickson Pimentel dos Santos foi atingido por um disparo na cabeça em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, o celular do oficial da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) não foi entregue à Polícia Civil entre os itens apreendidos no local do atentado, ocorrido em 27 de junho.
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Questionada pelo Metrópoles sobre o paradeiro do aparelho, a Comunicação Social da Polícia Militar (CCOMSOC) proibiu, na tarde de quarta-feira (29/7), qualquer declaração do comando da Rota sobre o tema, conforme nota enviada à reportagem.
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O celular é considerado uma prova que poderia ajudar a entender o ataque, segundo fontes que acompanham o caso. Uma dessas fontes afirmou que o telefone estaria sob a guarda da própria corporação. "O que mais nos intriga é a motivação. A PM sabe."
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi questionada sobre a situação, mas não se manifestou. O espaço segue aberto. O tenente apresentou melhora clínica no último mês, mas ainda está internado em estado grave.
SEIS CELULARES APREENDIDOS
Uma câmera registrou que Pimentel foi baleado na cabeça com um único tiro disparado pelos criminosos às 11h20, na Avenida Goiás, altura do número 600. O caso foi comunicado à PM às 11h28, e o primeiro policial chegou ao local dois minutos depois. A ocorrência foi apresentada ao 1º Distrito Policial de São Caetano do Sul às 13h15, quase duas horas após o crime.
Até o momento, seis celulares de pessoas investigadas foram apreendidos, conforme registros da Polícia Civil. Entre as apreensões mais recentes, ocorridas no dia 24, está o celular de Cláudia Ferreira Ramos, esposa de Hércules da Costa Siqueira, conhecido como Golias, principal suspeito de atirar no oficial da Rota. Outro aparelho pertence a Vinícius Ferreira Alves de Souza, enteado do suposto atirador.
Golias permanecia foragido até a publicação desta reportagem. A SSP oferece uma recompensa de R$ 50 mil por informações que levem à sua captura. Seu nome também foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol.
PRESOS ATÉ O MOMENTO
Os outros aparelhos pertencem a pessoas investigadas ou suspeitas de envolvimento no caso, como Marcos Vinícius Dias Machado e Carlos Roberto Ferreira, presos temporariamente por suspeita de apoio logístico ao atentado.
Até agora, quatro pessoas foram detidas por suspeita de participação na estrutura do crime. Nenhuma é apontada como autora do disparo. Entre os presos, está Luiz Henrique de Oliveira Nascimento, filmado, segundo a investigação, abandonando e limpando a moto usada pelos criminosos.
Também foi preso Luis Altino da Silva, o Chuck, que teria contratado Luiz Henrique para desaparecer com a moto. Chuck se entregou ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), afirmando que se entregava "para não morrer".
SETE MORTOS PELA ROTA
Enquanto a Polícia Civil tenta esclarecer quem ordenou o atentado e por qual motivo, sete homens foram mortos por policiais da Rota em ações relacionadas às buscas pelos envolvidos.
Em quatro dos seis boletins de ocorrência analisados pelo Metrópoles, os PMs relataram ter recebido denúncias de que os homens participavam do ataque. Até o momento, porém, não foi comprovada a ligação direta de todos com o crime.
As primeiras mortes ocorreram em 29 de junho, dois dias após o atentado. Na Estrada Aricanduva, um homem morreu após, segundo os policiais, atirar contra a equipe durante uma abordagem.
No mesmo dia, outro homem foi morto na Vila Galvão, em Guarulhos. O registro policial indica que ele teria feito menção de sacar uma arma ao ser abordado pela Rota.
Outras duas mortes ocorreram em 2 de julho. Uma em Guaianases, onde um homem teria reagido à abordagem policial. A outra em Peruíbe, após perseguição que, segundo a PM, terminou em confronto.
A MORTE DE GALEGO E TETÃO
O morto em Peruíbe foi identificado como Elenilson Misael da Silva, o Galego, de 47 anos. Inicialmente, a Polícia Civil informou não haver elementos que o ligassem diretamente ao atentado. Depois, investigadores apontaram que ele tinha ligação com Golias, a quem teria hospedado durante a fuga.
Documentos obtidos pelo Metrópoles indicam que Galego usou uma certidão de nascimento falsa para criar uma nova identidade e ocultar seu histórico criminal. Com o novo nome, ele obteve CPF, carteira de trabalho e título de eleitor.
Em 10 de julho, a Rota matou Márcio dos Santos Ferreira, o Tetão, de 45 anos, em São Mateus. Segundo a PM, uma denúncia indicava que alguém ligado ao atentado estava escondido em uma casa.
A corporação afirmou que Tetão estava armado e houve confronto. Ele foi socorrido, mas morreu no hospital. Outro homem na residência foi levado à delegacia.
PEÇA-CHAVE SILENCIADA
Entre os mortos está Marcelo de Jesus Dias, o Nego Zum, apontado como o piloto da moto usada no atentado. Ele teria conduzido a moto ocupada pelo homem que atirou em Pimentel.
Nego Zum foi morto pela Rota em 9 de julho, dentro de uma casa na favela de Heliópolis. Outro homem, não identificado, também foi morto no local.
Como revelou o Metrópoles, Nego Zum era considerado peça-chave para descobrir quem ordenou o atentado e qual seria a motivação. Fontes afirmam que sua morte impactou diretamente nas investigações.
A Polícia Civil não teve acesso imediato às imagens das câmeras corporais dos PMs que mataram o suspeito.
AÇÃO PREMEDITADA
A morte de Nego Zum e o desaparecimento do celular de Pimentel afetam duas possíveis fontes de informação para esclarecer por que os criminosos acompanharam a rotina do tenente e tentaram executá-lo em plena luz do dia.
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de uma ação premeditada, organizada e com divisão de tarefas. Imagens obtidas mostram que o oficial foi monitorado antes de ser baleado. Para os investigadores, houve participação de pessoas na execução, logística, fuga e ocultação de provas.






