
Agentes da Rota em ação durante operação policial em São Paulo (Foto: Instagram)
Eduardo Silva Cezar, conhecido como Créck, alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) contra uma organização ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), suplicou para não ser morto antes de ser atingido por quatro tiros disparados por policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). A informação consta no relato registrado pela Polícia Civil.
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A declaração foi feita por sua namorada, de 37 anos, que estava presente na residência onde ocorreu a ação, na manhã de quinta-feira (30/7), no Jardim Santa Terezinha, zona sul de São Paulo.
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A mulher relatou que os policiais militares entraram no quarto e instruíram para que ela deixasse o local com sua filha menor. Créck foi então levado até a cozinha pelos agentes, segundo ela.
Nesse momento, ela afirmou ter ouvido o namorado dizer "não me mata". Em seguida, escutou os tiros. A testemunha ainda declarou não ter visto Eduardo armado. O depoimento foi gravado, com sua permissão, e anexado à investigação da Polícia Civil.
CÂMERAS LIGADAS APÓS OS TIROS
Um delegado do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) solicitou as imagens das câmeras corporais dos agentes envolvidos.
Após insistência do policial civil, um tenente mostrou, por meio do celular, uma gravação feita às 6h02, na qual Créck já aparecia caído e ferido. Questionado sobre as imagens do momento dos disparos, o oficial informou que as câmeras foram ativadas apenas após o suposto confronto.
No próprio registro da Polícia Civil, obtido pelo Metrópoles, o delegado responsável destacou que não era a primeira vez que acompanhava um caso em que policiais militares ligavam as câmeras somente após os tiros, dificultando a verificação da legalidade da ação.
VERSÕES CONFLITANTES ENTRE TESTEMUNHA E POLICIAIS
A Rota afirma que Créck disparou contra os policiais durante o cumprimento dos mandados judiciais, e que os PMs reagiram à "agressão injusta".
A namorada, por sua vez, declarou não ter visto Eduardo com uma arma e relatou ter ouvido o pedido para não ser morto antes dos disparos. Créck apresentava três perfurações no tórax e uma nas costas, do lado esquerdo. A perícia deverá esclarecer se a lesão nas costas foi de entrada ou saída de um projétil. O corpo foi encontrado na cozinha.
Os PMs apresentaram uma pistola Taurus calibre 40, com a numeração raspada, alegando que pertencia a Eduardo. Foram também recolhidos quatro cápsulas e dois projéteis.
O DHPP instaurou inquérito para investigar a morte.
OPERAÇÃO CONTRA O PCC
A Rota atuava em apoio à PF no cumprimento de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão da Operação Fragmento.
Créck era investigado por suspeita de envolvimento com tráfico internacional e interestadual de drogas e estava entre os alvos da ofensiva contra uma organização ligada ao PCC.
Ele já havia sido condenado pelos assassinatos de duas ex-namoradas em 2014, cujos corpos foram ocultados em um carro abandonado em Guarulhos, na Grande São Paulo.
Inicialmente condenado a 35 anos, a pena foi reduzida para 28 anos. Documentos judiciais indicam que Créck progrediu para o regime semiaberto em maio de 2024, após quase 10 anos preso.
A reportagem não conseguiu confirmar em quais condições ele estava fora do sistema prisional durante a operação, nem se havia recebido outro benefício judicial além da progressão de regime.






