Facções CV e TCP usam WhatsApp para vender fuzis e produtos ilícitos no RJ

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Fuzil Parafal anunciado em grupo de WhatsApp de facção (Foto: Instagram)

Um espaço virtual que originalmente servia para negociar móveis, eletrônicos e objetos usados passou a ser utilizado como uma verdadeira feira do crime organizado. Membros de facções criminosas do Rio de Janeiro, como o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP), estão usando grupos de WhatsApp para anunciar e comercializar armamentos de guerra, drogas, veículos roubados e outros produtos ilícitos. Essa prática amplia o alcance do mercado clandestino e reduz a necessidade de encontros presenciais entre criminosos.

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A coluna Na Mira teve acesso a várias conversas e imagens que revelam como traficantes passaram a usar grupos aparentemente comuns do aplicativo para negociar armamentos de alto poder destrutivo. Entre os anúncios, está a oferta de um fuzil Parafal, vendido por R$ 165 mil, um AR-10, por R$ 80 mil, e uma pistola Taurus, por R$ 15 mil.

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As transações seguem um modelo semelhante ao de plataformas de e-commerce. Os vendedores publicam fotos, vídeos e especificações dos armamentos, e em alguns casos, informam a disponibilidade imediata para entrega. O contato é feito diretamente pelo aplicativo, onde compradores e vendedores ajustam valores, formas de pagamento e logística para entrega das armas.

Além dos armamentos, os grupos também são usados para anunciar celulares roubados, motocicletas, automóveis furtados, drogas e outros produtos de atividades ilícitas. O sistema funciona como um mercado paralelo fechado, acessível apenas por convite ou indicação de membros da facção, dificultando a ação das autoridades.

A coluna teve acesso a imagens de um dos armamentos anunciados. Trata-se de um fuzil Taurus T4, filmado pelos próprios criminosos para mostrar o estado de conservação antes da venda.

O armamento chama atenção porque já havia sido identificado em imagens gravadas durante um “aulão de drones” promovido por traficantes do Complexo da Penha. Na ocasião, homens fortemente armados participaram de uma demonstração sobre o uso de drones em operações da facção, mostrando o investimento crescente em tecnologia para monitoramento, vigilância e ataques.

Segundo informações obtidas, o fuzil pertence a um traficante conhecido como Pedro Bala, apontado como responsável pelo tráfico de drogas nas comunidades da Vila Kosmos e do Juramento, áreas sob influência da facção que domina parte do Complexo da Penha.

As novas imagens reforçam que o mesmo armamento, usado ostensivamente por criminosos em vídeos de propaganda, agora aparece sendo oferecido para negociação nos grupos de WhatsApp.

As conversas analisadas indicam que a comercialização ilegal não ocorre mais apenas por contatos pessoais. Os criminosos estruturaram uma rede digital de vendas, usando aplicativos de mensagens para ampliar a circulação de armas entre diferentes comunidades e facções.

Em muitos casos, os vendedores publicam vídeos detalhados dos armamentos, mostrando numeração, acessórios, carregadores e realizando demonstrações de funcionamento, buscando transmitir segurança ao comprador. A estratégia reduz riscos para os traficantes, que conseguem negociar sem exposição física e selecionar previamente quem terá acesso aos grupos.