
Erosão costeira em praia tropical alerta para os riscos do super El Niño 2026 (Foto: Instagram)
A cada período de dois a sete anos, o fenômeno climático El Niño ocorre, caracterizado pelo aumento da temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento pode enfraquecer ou até inverter a direção dos ventos alísios, afetando os padrões climáticos mundiais.
++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos
Para 2026, espera-se um "super El Niño", um evento climático mais intenso do que em anos anteriores. De acordo com o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), há possibilidades de que este seja o mais forte já registrado. O principal risco envolve eventos climáticos extremos, como chuvas e secas intensas.
++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro
Marcus Polette, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), alerta que os eventos associados ao El Niño podem resultar em inundações, deslizamentos e enxurradas em todas as zonas costeiras do Brasil.
“O El Niño altera a circulação atmosférica e oceânica globalmente, mudando o regime de chuvas, as temperaturas e a frequência de eventos extremos. Com as mudanças climáticas, esses efeitos são intensificados, expondo ainda mais as cidades e ecossistemas costeiros a secas, enchentes, tempestades, ondas de calor, erosão costeira e outros impactos ambientais e socioeconômicos”, explica Polette, também professor na Universidade do Vale do Itajaí (Univali).
O perigo é especialmente alto devido à vulnerabilidade dessas áreas a pequenas mudanças nas condições climáticas. Alterações mínimas podem ter efeitos significativos nos ecossistemas, nas cidades e nas atividades econômicas.
“No Brasil, a importância das zonas costeiras é ainda maior. Trata-se de uma região altamente urbanizada, onde estão grandes centros urbanos, complexos portuários importantes, polos turísticos, áreas industriais, pesqueiras e ecossistemas estratégicos, como manguezais, restingas, dunas, estuários e recifes de corais”, enfatiza o pesquisador.
OS RISCOS DO EL NIÑO PARA CADA REGIÃO COSTEIRA
REGIÃO SUL
A Região Sul do Brasil é uma das mais preocupantes para os cientistas, devido à sua predisposição para chuvas intensas. Em 2024, as precipitações atingiram recordes históricos, causando grandes danos.
“O El Niño favorece uma configuração de bloqueio atmosférico. Isso significa que as frentes frias, ao chegarem ao continente, encontram uma área de alta pressão que dificulta seu avanço. Muitas vezes, elas acabam desviando para o oceano ou permanecem estacionadas sobre a Região Sul”, diz o professor Micael Cecchini, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP).
O aumento das chuvas e a frequência de tempestades favorecem enchentes, deslizamentos, erosão costeira, elevação do nível dos rios e sobrecarga dos sistemas de drenagem urbana. “Se as chuvas coincidirem com marés elevadas, o escoamento das águas para o oceano torna-se mais difícil, ampliando o risco de inundações nas cidades costeiras”, alerta Polette.
REGIÃO NORTE E NORDESTE
Nas regiões Norte e Nordeste, o cenário é o oposto do Sul. A principal preocupação é a diminuição das chuvas e o aumento das temperaturas, fatores que intensificam secas, queimadas, falta d’água e mudanças nos ecossistemas costeiros e marinhos.
Essas consequências podem impactar diretamente a pesca, a agricultura, o turismo e o modo de vida de comunidades tradicionais que dependem dos recursos naturais. “No Nordeste, soma-se ainda um fator de grande preocupação: o aquecimento das águas do oceano”, acrescenta o pesquisador do INPO. O aumento da temperatura ameaça a saúde de corais e animais que habitam a costa local.
REGIÃO SUDESTE
O Sudeste enfrenta a perspectiva de temperaturas mais elevadas, irregularidade das chuvas, ondas de calor mais frequentes, períodos de estiagem e eventos extremos concentrados.
“Nas áreas costeiras altamente urbanizadas, esses impactos são agravados pela impermeabilização do solo, pela ocupação de áreas suscetíveis a inundações, pela retirada da vegetação e por limitações nos sistemas de drenagem e saneamento”, aponta Polette.
COMO O BRASIL PODE SE PREPARAR PARA OS POSSÍVEIS IMPACTOS CLIMÁTICOS
Diferente do aquecimento global, o El Niño é um fenômeno natural, portanto, não pode ser evitado. As principais soluções para enfrentar seus efeitos incluem:
- Investir em planejamento territorial e monitoramento climático;
- Fortalecer sistemas de alerta precoce para que a população possa se proteger a tempo;
- Adaptar infraestruturas em zonas costeiras para protegê-las de eventos climáticos extremos;
- Propor e implementar novas medidas para a conservação dos ecossistemas naturais.
Especialistas afirmam que o Brasil fez progressos na criação de soluções e se preparou, dentro do possível, para o aumento de eventos climáticos cada vez mais frequentes no mundo. Contudo, ainda existem limitações no planejamento urbano e na infraestrutura, especialmente em nível municipal. “Mais do que responder às emergências, é necessário investir continuamente em prevenção e adaptação”, diz Polette.
“No caso do Brasil, temos muitos desafios porque somos bastante vulneráveis ao clima. Por outro lado, o país possui um sistema bastante robusto de monitoramento, como o Cemaden, que reúne informações sobre tipo de solo, relevo, regime de chuvas e áreas suscetíveis a desastres em praticamente todo o país. Na minha avaliação, o principal desafio hoje não é a falta de informação, mas o uso efetivo desses dados”, conclui Cecchini.






