Pesquisa revela que traços de personalidade mudam tanto quanto saúde e renda

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Silhuetas coloridas ilustram a progressiva mudança da personalidade ao longo da vida (Foto: Instagram)

Durante muito tempo, acreditou-se que a personalidade de uma pessoa permanecia praticamente inalterada ao longo da vida, uma visão sustentada tanto pela ciência quanto pelo senso comum. No entanto, um novo estudo aponta que essa ideia está longe de ser verdadeira.

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Conforme a pesquisa publicada em 27 de julho na revista Communications Psychology, os principais traços de personalidade continuam a evoluir ao longo da vida, muitas vezes tanto quanto fatores como saúde, renda e satisfação pessoal.

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Para chegar a essas conclusões, foram analisados dados de 166.971 indivíduos dos Estados Unidos, Alemanha, Austrália e Holanda, acompanhados ao longo de vários anos. Antes disso, 887 adultos norte-americanos foram entrevistados para compreender como percebem suas próprias personalidades.

Os resultados indicaram que a maioria das pessoas acredita que características como extroversão, amabilidade, conscienciosidade, neuroticismo e abertura a novas experiências mudam pouco após a vida adulta. No entanto, a análise dos dados desmente essa percepção.

Os pesquisadores compararam a personalidade com outras 27 características, como saúde física, autoestima, renda e interações sociais. Em muitos casos, os cinco grandes traços de personalidade mudaram tanto quanto esses outros aspectos. A conscienciosidade, ligada à responsabilidade, organização e disciplina, foi uma das características que mais se alterou ao longo da vida. Extroversão e abertura a novas experiências também apresentaram mudanças significativas entre a adolescência e a velhice.

Segundo os autores, essas transformações ocorrem de forma gradual, mas continuam mesmo décadas após o término da adolescência. No entanto, as pessoas tendem a subestimar essas mudanças, enquanto são mais precisas ao prever alterações em aspectos como saúde.

Na primeira fase do estudo, 887 adultos avaliaram o quanto acreditavam que diferentes características mudavam entre os 15 e os 90 anos. Posteriormente, os cientistas reuniram dados de oito grandes estudos longitudinais realizados em quatro países, permitindo observar como características evoluem ao longo do tempo.

Os pesquisadores utilizaram modelos estatísticos para distinguir mudanças reais de variações ocasionais, analisando tanto a mudança total da personalidade ao longo da vida quanto as alterações acumuladas nesse período. Os resultados desafiam a ideia de que a personalidade é fixa e imutável, sugerindo que ela continua a ser moldada por experiências e pelo envelhecimento, mesmo que lentamente.

Os autores ressaltam que a análise considerou a média de grandes grupos de pessoas, sendo necessários novos estudos para entender melhor como essas mudanças ocorrem individualmente e quais fatores influenciam o processo ao longo da vida.