Brasileiros temem aumento de preços e infraestrutura com El Niño

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Operadora de caixa registra compras em supermercado em meio às preocupações com a alta dos alimentos causada pelo El Niño. (Foto: Instagram)

Uma pesquisa da Nexus divulgada nesta quarta-feira (5/8) revela que a maioria dos brasileiros está preocupada com os efeitos do El Niño. De acordo com o estudo, a principal apreensão é o aumento dos preços dos alimentos.

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Para 77% dos entrevistados, o fenômeno climático terá um grande impacto na inflação dos alimentos. Apenas 5% acreditam que os preços permanecerão inalterados.

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Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, destaca que a memória recente de eventos climáticos extremos ainda influencia a percepção dos brasileiros sobre o El Niño. "A lembrança das enchentes no Sul e deslizamentos no Sudeste é recente. Isso faz com que nove em cada 10 brasileiros acreditem que o El Niño afetará a infraestrutura, abastecimento de água, saúde e custo de vida", explica.

O El Niño é um fenômeno natural que ocorre quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o habitual, alterando ventos e clima global. No Brasil, seus efeitos variam: mais chuvas no Sul, secas no Norte e Nordeste, e mudanças climáticas no Centro-Oeste e Sudeste. Segundo o Cemaden, o El Niño de 2026 pode ser o mais intenso da história moderna, interagindo com o aquecimento global e intensificando eventos extremos.

Em entrevista ao Metrópoles na terça-feira (4/8), a ministra Fernanda Machiavelli afirmou que o governo está tomando medidas para evitar aumentos nos preços dos alimentos devido aos desafios climáticos previstos para 2026. Entre as ações, está a compra de 300 mil toneladas de arroz para aumentar o estoque público, garantindo 5% do consumo nacional.

Após as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, que dificultaram a distribuição de grãos, a ministra destacou que a iniciativa busca prevenir oscilações indesejadas nos preços. Além disso, o governo adquiriu 180 mil toneladas de milho para alimentação animal no Nordeste.

Machiavelli também mencionou que os preços dos alimentos estão em queda, com uma deflação de 0,66% em julho, e 1,14% nos alimentos consumidos em casa. Essa redução tem ajudado a conter a inflação geral, graças ao aumento da produção pelo Plano Safra.

Apesar das medidas do governo, Tokarski observa que os brasileiros veem os eventos climáticos extremos como uma ameaça concreta. Além do custo de vida, 89% dos entrevistados acreditam que o El Niño afetará o abastecimento de água e aumentará a conta de energia, enquanto 87% esperam impactos na infraestrutura das cidades. Na saúde, 76% temem problemas respiratórios e a disseminação de doenças relacionadas às enchentes.

A pesquisa entrevistou 2 mil pessoas em todos os estados, com amostragem representativa da população brasileira, estratificada por sexo, idade, renda e região.