Em caixa-preta de avião da Voepass, piloto admite falha: “Não tá funcionando”

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Destroços da aeronave da Voepass em Vinhedo após combate a incêndio (Foto: Instagram)

A caixa-preta do avião da Voepass que caiu em Vinhedo (SP), em 9 de agosto de 2024, revela que um dos pilotos reconheceu, durante o voo, um problema no sistema de degelo da aeronave. Essa informação está no laudo da investigação da Polícia Federal (PF), que detalha os momentos anteriores ao acidente que resultou na morte de 62 pessoas.

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De acordo com a perícia, o sistema de degelo apresentou falhas durante o voo, e o problema já havia sido registrado em viagens anteriores, conforme mostrou o relatório final divulgado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) no último dia 23 de julho.

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Os diálogos gravados na cabine mostram a equipe tentando restabelecer o funcionamento do equipamento enquanto lidava com uma série de alertas emitidos pela aeronave.

O laudo também aponta que, nos minutos finais do voo, foram emitidos avisos de perda de desempenho, estol (indicando perda de sustentação da aeronave) e proximidade do solo. Além disso, a PF concluiu que procedimentos recomendados pelo fabricante para esse tipo de situação não foram realizados no momento adequado.

Ainda durante a subida da aeronave, que decolou de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP), a caixa-preta registra o primeiro alerta relacionado ao sistema de degelo.

Piloto: “É o ‘Airframe’ que deu ‘fault’… pode tirar, pode tirar… pelo menos a gente já sabe que tá…”

O copiloto então comenta sobre as condições de voo:

Copiloto: “Olha a situação, se bem que não tá reportado isso aí, mas pra gente não pegar gelo teria que ir no 110, né?”

O comandante responde fazendo uma referência ao personagem Herbie, do filme Se Meu Fusca Falasse:

Piloto: “Foi só eu falar. O avião escutou. Esse avião parece aquele Fusquinha, Herbie lá… Herbie, filme bem antigo.”

A Polícia Federal informou que naquele momento o alerta AIRFRAME FAULT indicava falha no sistema pneumático de degelo da aeronave. O procedimento recomendado pelo fabricante era que a tripulação deixasse imediatamente a região de formação de gelo, mas os dados do gravador de voo mostram que isso não foi feito.

Quase uma hora depois, já perto de São Paulo, a situação piora.

Copiloto: “Bastante gelo.”

Ele tenta acionar novamente o sistema de degelo:

Copiloto: “Ligar o airframe.”

O comandante responde imediatamente:

Piloto: “Essa bosta não tá funcionando, né?”

A gravação continua:

Copiloto: “É.”
Copiloto: “Gelo.”

Logo após, o alarme de estol fica ativo por 48 segundos. Em seguida, o sistema de alerta de proximidade do solo começa a emitir repetidamente o comando:

TAWS: “Pull-up… Pull-up.”

Segundo a investigação, os computadores da aeronave também emitiram alertas de degradação de desempenho e aumento de velocidade antes de o avião perder sustentação, entrar em estol e cair.

O laudo aponta que os pilotos não realizaram, no momento adequado, procedimentos recomendados pelo fabricante para situações de falha no sistema de degelo, degradação de desempenho, formação severa de gelo e recuperação de estol.

De acordo com o Fantástico, a Polícia Federal concluiu que a queda foi resultado da combinação de falhas recorrentes no sistema de degelo, operação em área com formação severa de gelo, descumprimento dos procedimentos recomendados pelo fabricante e falhas sucessivas nas barreiras de segurança antes do voo.

A PF deve divulgar a conclusão do inquérito nesta quinta-feira (6/8).