Camarão, o “maior matador da Papuda”, é preso após fugir durante saída de trabalho

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Camarão, apelidado de “o maior matador da Papuda”, é recapturado após fuga do regime semiaberto (Foto: Instagram)

A condenação por latrocínio (roubo seguido de morte) foi o que levou Antônio Alves da Silva, conhecido como Camarão, de 51 anos, a ingressar no sistema penitenciário do Distrito Federal. Desde 1991, ele cumpre pena por roubo com morte, assalto à mão armada e formação de quadrilha.

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Nos primeiros anos na Papuda, ainda sem facções nas cadeias da capital, Camarão decidiu que não seguiria ordens de presos mais antigos ou dos autodenominados "donos da cadeia", e começou a eliminar rivais.

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Seu nome passou a ser associado a uma série de homicídios dentro da Papuda, tornando-o conhecido como o "maior matador do sistema penitenciário do Distrito Federal", apelido dado pelos gestores da Papuda em 2012.

Apesar de seu histórico violento, ele obteve progressão para o regime semiaberto, podendo trabalhar fora. Em 21 de julho, não retornou ao Centro de Progressão Penitenciária (CPP) após uma saída para trabalho e foi considerado foragido.

Recapturado na terça-feira (4/8) em Luziânia (GO), Camarão ainda precisa cumprir 121 anos, 10 meses e 7 dias de pena. Suas condenações totalizam 146 anos, 10 meses e 9 dias de prisão, com término previsto para 4 de agosto de 2066.

Durante os anos na prisão, Camarão planejou ataques a rivais com armas improvisadas. Em 12 de dezembro de 2000, ele entrou na cela 2 da ala A do Pavilhão de Segurança Máxima da Papuda decidido a matar Jorge Martins dos Santos. Segundo o processo do TJDFT, ele não estava sozinho. Adailton Pereira dos Santos, seu cúmplice, segurou a vítima, impedindo qualquer reação.

Enquanto Jorge era imobilizado, Camarão usou o gargalo de um vidro de pimenta, transformado em arma cortante improvisada, para atacá-lo, principalmente no pescoço. Jorge morreu na cela devido aos ferimentos.

Em outro incidente, ele matou um desafeto que estava na cela ao lado. Após ouvir que o rival falava mal dele, Camarão usou uma colher para cavar a parede que separava as duas celas. Após abrir um buraco, invadiu a cela do inimigo e o matou com golpes de estoque, uma arma branca improvisada.

A ficha criminal de Camarão inclui 11 condenações por homicídios, latrocínios, roubos, estupros e tráfico de drogas, acumuladas ao longo de quase duas décadas, tanto no Distrito Federal quanto em Valparaíso de Goiás.

Entre as condenações destacam-se:

  • 1998: 25 anos por latrocínio, na 1ª Vara Criminal do Gama;
  • 2004: 5 anos e 4 meses por homicídio, no Tribunal do Júri do Paranoá;
  • 2004: 18 anos e 6 meses por homicídio qualificado, no Tribunal do Júri do Paranoá;
  • 2005: 3 anos e 6 meses por tráfico, na 2ª Vara de Entorpecentes e Contravenções Penais do DF;
  • 2006: 17 anos e 9 meses, sendo 8 anos e 9 meses por estupro e 9 anos por roubo agravado;
  • 2006: 10 anos e 6 meses por estupro;
  • 2007: 9 anos e 4 meses por roubo agravado;
  • 2009: 6 anos, 10 meses e 9 dias por roubo agravado;
  • 2010: 20 anos por latrocínio;
  • 2012: 22 anos e 9 meses por latrocínio;
  • 2015: 7 anos e 4 meses por roubo agravado.

O TJDFT, via Vara de Execuções Penais (VEP), informou que o benefício foi concedido porque ele preenchia os requisitos da Lei de Execução Penal.

Para a concessão do trabalho externo, são necessários dois requisitos: o objetivo, relacionado ao tempo mínimo de pena cumprida, e o subjetivo, que considera o comportamento do preso.

Leia a nota na íntegra:

“Para o deferimento do trabalho externo, é necessário o preenchimento dos requisitos objetivo e subjetivo. O requisito objetivo diz respeito ao lapso temporal previsto na Lei de Execução Penal. O requisito subjetivo se refere ao comportamento carcerário. No caso, Antônio Alves da Silva tinha bom comportamento carcerário e ainda fez o exame criminológico e cumpriu as recomendações. Havendo o preenchimento dos requisitos legais, não há como negar o pedido.”

Foi durante esse benefício que Camarão fugiu. Em 21 de julho, ele não retornou ao CPP após uma saída para trabalho externo e foi considerado foragido, sendo recapturado em Luziânia (GO) em 4 de agosto.