
Bruno Gagliasso vive Honestino Guimarães em filme sobre militância e códigos secretos (Foto: Instagram)
Honestino Guimarães foi alvo de perseguição e morto pelo regime militar aos 26 anos, em 1973. Nesta quinta-feira (13/8), um filme que revisita a trajetória do líder estudantil estreia em cinemas de 18 cidades brasileiras. Protagonizado por Bruno Gagliasso, o longa destaca como o estudante de geologia utilizou códigos para se comunicar com familiares e amigos durante o período em que esteve na clandestinidade.
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Aluno da Universidade de Brasília (UnB), Honestino passou a viver na clandestinidade após a promulgação do Ato Institucional nº 5, em 1968. Procurado pelas autoridades, ele deixou Brasília e se refugiou em São Paulo, onde permaneceu escondido.
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Um dos métodos mais comuns entre os militantes da época era a adoção de nomes falsos para escapar da repressão. Honestino, por exemplo, usava o codinome Hermano. Ele também alterou sua aparência, escurecendo os cabelos para dificultar a identificação, já que era loiro de olhos claros.
Em casa, a família de Honestino também precisou criar formas de comunicação seguras. As mensagens eram enviadas por cartas, que percorriam rotas complexas até chegar ao destino. Desde pequeno apelidado de Gui, o líder estudantil combinou com sua mãe, Maria Rosa, um código para ser usado caso fosse capturado.
Mãe e filho acertaram que ela receberia um aviso por meio de uma pessoa inesperada caso ele fosse preso. No dia 13 de outubro de 1973, Maria Rosa recebeu a mensagem que tanto temia, informando que seu filho havia sido detido no Rio de Janeiro. “Seu filho fora internado no Hospital do Rio”, dizia o bilhete.
Os códigos também faziam parte do cotidiano de Luiz Carlos, irmão de Honestino, que também era procurado pela polícia. Escondido na casa de amigos da família, ele era identificado nas ligações telefônicas como “pacote”.
Os documentos falsos eram outra ferramenta usada pelos militantes para se movimentar sem serem capturados pelas forças de repressão. Em 1971, enquanto vivia clandestinamente no Rio, Honestino usou um talento de infância para escapar da perseguição.
Com a ajuda de um professor de música, obteve uma carteira da Ordem dos Músicos para se disfarçar. Na adolescência, havia tocado clarineta em uma banda, o que facilitou a emissão do documento.
Ele também conseguiu um passaporte falso, comprado pelo irmão Norton em Brasília. Os dois se encontraram em Copacabana para a entrega do documento, mas a reação de Honestino foi inesperada.
Resistente à ideia do exílio, ele começou a fazer um pequeno discurso, afirmando que “seu povo era este, que seu país era este, que iria lutar até o fim pela queda da ditadura”. Norton o repreendeu, temendo chamar a atenção dos militares.
Mais de 40 anos depois, o desaparecimento de Honestino Guimarães ainda não foi completamente esclarecido. A Comissão Nacional da Verdade aponta que ele foi preso por agentes do Estado, mas não concluiu as circunstâncias da detenção ou causa da morte. Seu corpo nunca foi encontrado.






