
Megaempresário foragido curte passeio de barco em destino paradisíaco (Foto: Instagram)
Um dos principais alvos da Operação Narciso, iniciada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), conseguiu escapar do cerco policial na tríplice fronteira e está oficialmente foragido. Trata-se do megaempresário Jorge Luiz Roa, conhecido no Paraguai e dono da famosa loja de produtos farmacêuticos Jack Center.
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Nas redes sociais, Jorge exibia uma vida de luxo, compartilhando fotos em festas e viagens para destinos paradisíacos com a família. No entanto, por trás dessa imagem de sucesso, a polícia afirma que ele estava no topo da rede de tráfico internacional de substâncias ilícitas.
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Investigações indicam que Jorge era um sócio oculto de Elisangela Pereira Acosta, a principal distribuidora de medicamentos e insumos anabolizantes para produção em laboratórios ilegais no Brasil. Elisangela, residente em uma mansão de luxo em Foz do Iguaçu e também sócia de uma loja de anabolizantes no Paraguai, mantinha com Jorge uma complexa rede criminosa.
Eles escondiam as substâncias ilícitas dentro de peças mecânicas de motocicletas para driblar a fiscalização na fronteira. Em Foz do Iguaçu, embalavam os produtos para envio a todos os estados brasileiros por meio de e-commerce, Correios ou "freteiros", pessoas pagas para transporte clandestino.
Para movimentar o dinheiro das vendas, a dupla utilizava doleiros no Paraguai e em Foz do Iguaçu. Esses doleiros indicavam contas de "laranjas" no Brasil para receber os pagamentos. Em Foz do Iguaçu, algumas dessas contas pertenciam a empresas de construção, lotéricas e consultorias, usadas para ocultar a origem dos valores.
Enquanto Jorge continua foragido, as autoridades prenderam Elisangela e outro sócio, Roberto Carlos, conhecido como "Jiraya", no Paraguai. Outros membros do esquema também foram detidos.
Na quarta-feira (12/8), a Operação Narciso foi deflagrada, sendo a maior ação do ano contra o comércio ilegal de anabolizantes no Brasil. A investigação revelou uma complexa rede criminosa dedicada à fabricação, fornecimento, rotulagem, divulgação e venda de anabolizantes e medicamentos controlados.
O esquema tinha conexões em oito estados além do Distrito Federal, incluindo Santa Catarina, Acre, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraíba e Minas Gerais, com produção clandestina no Paraguai.
Foram expedidos 43 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão, além do bloqueio de R$ 32 milhões em ativos. Mais de 20 estabelecimentos foram fechados, 10 veículos de luxo apreendidos e mais de 30 sites de venda ilegal desativados.
De acordo com o delegado Rodrigo Carbone, o núcleo do esquema operava sob o termo "cozimento": fabricação artesanal de substâncias em locais improvisados, sem controle sanitário. Ingredientes perigosos eram misturados a matérias-primas importadas de Índia, China e Paraguai.
A falta de controle técnico causava graves reações alérgicas e infecções nos usuários, além de riscos de embolias e sepse, levando vítimas a óbito, como no caso recente de uma fisiculturista em Samambaia. O uso contínuo ainda pode provocar AVC, hipertrofia cardíaca e impotência sexual.






