Mudanças Irreversíveis: Uso de Esteroides por Mulheres Pode Trazer Riscos Graves

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Suco feminino: corpo definido e riscos ocultos (Foto: Instagram)

Nas academias e redes sociais, o termo “suco feminino” tem sido utilizado para descrever uma prática que vai além do treino convencional. A expressão, que vem do inglês "juice", é usada informalmente no mundo fitness para se referir ao uso de esteroides anabolizantes.

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Entre as mulheres, essa gíria geralmente está ligada a substâncias como oxandrolona e gestrinona, que são usadas para acelerar o ganho de massa muscular, reduzir gordura ou alterar a aparência física.

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Embora o nome possa parecer inofensivo, as substâncias não são. Esteroides anabolizantes são compostos naturais ou sintéticos relacionados à testosterona, que podem promover o crescimento muscular, mas também afetam o equilíbrio hormonal e diferentes órgãos.

No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) proíbe a prescrição de esteroides anabolizantes e hormônios androgênicos para fins estéticos ou esportivos. Essa regra não se aplica a tratamentos hormonais indicados para deficiências comprovadas.

A Anvisa também impede a venda e o uso de implantes hormonais manipulados à base de anabolizantes ou andrógenos para fins estéticos, ganho muscular ou desempenho esportivo.

O principal atrativo dos esteroides é a capacidade de acelerar mudanças corporais. O nutricionista e educador físico Eduardo Lustosa, de Brasília, explica que fatores como genética, idade, tempo de treino e características individuais influenciam os resultados naturais.

Os esteroides podem aumentar a síntese de proteínas, um processo essencial para construir e reparar músculos. No entanto, eles não substituem treino, alimentação e recuperação. “O medicamento não substitui o trabalho”, afirma Lustosa.

Nas mulheres, a exposição a substâncias similares à testosterona pode alterar o equilíbrio hormonal. O endocrinologista Felipe Henning Gaia Duarte, presidente da SBEM-SP, explica que o excesso de hormônios androgênicos reduz os sinais cerebrais para os ovários, causando diversas alterações.

Algumas mudanças podem melhorar após a interrupção do uso, mas outras podem ser permanentes. “O engrossamento da voz é uma das alterações mais preocupantes, pois a cartilagem da laringe não retorna ao formato original”, explica Duarte.

Os anabolizantes também afetam a fertilidade, interferindo na maturação dos óvulos e na ovulação. Durante o uso, ciclos irregulares e dificuldade para engravidar podem ocorrer. Segundo Duarte, menstruação e ovulação geralmente se recuperam após a interrupção, mas doses altas ou uso prolongado podem dificultar essa recuperação.

Os riscos não se limitam à aparência. Os anabolizantes podem piorar o perfil de colesterol, aumentar a pressão arterial e causar problemas cardiovasculares. O fígado também pode ser afetado, com complicações como inflamação e colestase.

A Febrasgo alertou em junho de 2026 sobre a gestrinona, que tem sido vendida com promessas não comprovadas de ganho de massa magra e melhora de performance. O educador físico Rafael Ribeiro observa que a busca por resultados rápidos mudou a relação de algumas mulheres com a academia.

Fotos e vídeos mostram corpos definidos, mas não revelam o tempo necessário para alcançar o resultado, a influência da genética ou o uso de substâncias. “Há uma ansiedade maior por resultados rápidos”, afirma.

Por trás do “suco feminino”, há uma transformação que não aparece nas fotos. O ganho muscular pode ser rápido, mas vem com riscos significativos. “Precisamos considerar o custo fisiológico desses resultados”, conclui Lustosa.

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