Dentista Gustavo Delmondes ensina a identificar mau hálito sem ajuda externa

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Homem testa o próprio hálito em busca de mau cheiro (Foto: Instagram)

Você já se questionou se está com mau hálito, mas nunca conseguiu ter certeza? O dentista Gustavo Delmondes explica que identificar o próprio hálito ruim sem que alguém avise não é tão simples quanto parece. Ele destaca que essa dificuldade está ligada a um fenômeno do sistema nervoso conhecido como adaptação olfatória. Isso ocorre quando estamos continuamente expostos a um odor, fazendo com que os receptores do olfato e o cérebro respondam menos a ele.

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Em entrevista à coluna de Claudia Meireles, Gustavo esclareceu que essa dessensibilização acontece porque o mau hálito é frequentemente gerado de forma contínua, especialmente devido ao acúmulo de bactérias na língua ou gengivas. "As pessoas tendem a se acostumar com o cheiro e deixam de percebê-lo claramente", explica.

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Para ajudar a eliminar a dúvida sobre estar ou não com mau hálito, o dentista sugere alguns métodos. "Embora não sejam tão confiáveis quanto uma avaliação odontológica, um dos testes mais informativos é raspar a parte posterior da língua com uma colher ou raspador, esperar alguns segundos e sentir o odor do material removido", recomenda.

Outra alternativa, de acordo com Gustavo Delmondes, é passar fio dental entre os dentes posteriores e verificar o cheiro. "Esses testes podem indicar halitose, mas têm limitações, pois a adaptação olfatória pode fazer a pessoa subestimar o odor", reforça.

Gustavo Delmondes, em sua prática na clínica Benve, orienta os pacientes a entender que a falta de escovação não é a única responsável pelo mau hálito. Na maioria das vezes, a origem da halitose está na própria boca.

Entre as principais causas, o dentista menciona saburra lingual, gengivite, doença periodontal, cáries extensas, restos de alimentos e boca seca. Condições como sinusite crônica, amigdalite com caseum e algumas doenças respiratórias também podem causar o problema.

"O uso de medicamentos é uma causa importante, já que muitos remédios diminuem a produção de saliva, favorecendo a proliferação bacteriana. Problemas gástricos contribuem em algumas situações, especialmente no refluxo gastroesofágico, mas são menos frequentes do que se imagina", afirma.

Quando a halitose persiste, merece atenção especial. Gustavo explica que ela pode ser um sinal de doença periodontal — uma infecção crônica que afeta as gengivas e os tecidos de suporte dos dentes. "Infecções dentárias, abscessos, alterações nas amígdalas e sinusite crônica são outras possíveis causas", alerta.

"O ideal é procurar um dentista quando o mau hálito persiste por mais de duas a quatro semanas, principalmente se houver sangramento gengival, retração da gengiva, mobilidade dentária, dor ou gosto ruim constante", enfatiza Gustavo Delmondes.

"Sintomas como azia frequente, obstrução nasal persistente, secreção na garganta e perda de peso inexplicada também devem ser avaliados por um médico", conclui.

No dia a dia, cuidados básicos continuam sendo os principais aliados contra a halitose. Gustavo recomenda escovar corretamente os dentes, usar fio dental diariamente, manter boa hidratação e não esquecer da limpeza da língua.

"A atenção à língua é especialmente importante porque sua parte posterior concentra bactérias que produzem compostos sulfurados, substâncias relacionadas ao odor característico do mau hálito", destaca.

Para quem utiliza balas e pastilhas, o dentista é claro: essas opções apenas mascaram o cheiro por alguns minutos sem tratar a causa. "Gomas de mascar sem açúcar podem ajudar temporariamente ao estimular a produção de saliva, mas também não tratam a origem da halitose", adverte.

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