Exploração sexual de meninas: o passado sombrio do fundador das Casas Bahia

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Denúncias envolvendo exploração sexual de adolescentes e mulheres marcaram a trajetória da família Klein antes da crise financeira enfrentada atualmente pelas Casas Bahia. O fundador da varejista, Samuel Klein, foi alvo de acusações a partir dos anos 1990, enquanto seu filho, Saul Klein, foi condenado em 2023 pela Justiça do Trabalho a pagar R$ 30 milhões por tráfico de pessoas para fins de trabalho escravo s*xual.

Segundo relatos reunidos pela Agência Pública em 2021, Samuel teria atraído adolescentes em situação de vulnerabilidade socioeconômica e contado com funcionários para entregar presentes e dinheiro às vítimas e mantê-las em imóveis. O empresário morreu em 2014, aos 91 anos, sem ter sido condenado pelos casos.

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Parte das vítimas procurou a Justiça anos depois, mas encontrou dificuldades relacionadas à prescrição dos crimes. A repercussão das denúncias contribuiu para a criação do chamado “PL Caso Klein”, projeto que propõe ampliar de três para 20 anos o prazo de prescrição para ações de reparação civil relacionadas a crimes sexuais contra crianças e adolescentes. O texto foi aprovado pela Câmara em 2023 e permanece no Senado.

No caso de Saul Klein, a Justiça do Trabalho determinou, em 2023, o pagamento de R$ 30 milhões após investigação do Ministério Público do Trabalho. Segundo o processo, jovens entre 16 e 21 anos eram aliciadas com promessas de trabalho como modelos e posteriormente submetidas a exploração intima.

Os autos descrevem que as vítimas eram levadas ao sítio do empresário, onde teriam sofrido restrição de liberdade, violência psicológica e vigilância armada. O processo também registra relatos de relações sexuais forçadas e de mulheres que teriam contraído doenças s*xualmente transmissíveis.

Saul se tornou réu em uma ação criminal após a 2ª Vara Criminal de Barueri aceitar parcialmente uma denúncia do Ministério Público de São Paulo. O processo apura acusações de exploração sexual de mulheres e organização criminosa e tramita sob segredo de Justiça.

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A decisão menciona depoimentos que apontam para uma “dinâmica reiterada” de recrutamento de mulheres e adolescentes por meio de promessas de trabalho e posterior exploração sexual. O documento também cita um “ambiente de exploração contínua”.

As denúncias envolvendo a família Klein são anteriores à atual crise financeira das Casas Bahia. A empresa, que chegou a ter cerca de 300 lojas no início dos anos 2000, passou por mudanças societárias ao longo dos anos seguintes. Em 2013, a família Klein reduziu sua participação na companhia.

Atualmente, Raphael Klein, neto de Samuel e filho de Michael Klein, integra o Conselho de Administração da empresa e participa dos comitês de Finanças e de Pessoas e Governança.

Em agosto de 2026, as Casas Bahia protocolaram um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A companhia informou prejuízo de R$ 10 bilhões no segundo trimestre e busca renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas. O plano apresentado prevê o fechamento de 298 lojas e a redução de 1,9 mil a 3 mil postos de trabalho.

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