Haddad afirma que motorista não teve acesso a vídeo da ação da PM

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Fernando Haddad fala à militância no Capão Redondo (Foto: Instagram)

Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo pelo PT, declarou que seu motorista identificou uma câmera que teria registrado o momento exato da ação da Polícia Militar contra o veículo em que estava, no dia 11 de agosto, após compromissos de campanha. Segundo Haddad, o motorista solicitou essas imagens à Polícia Civil, mas não obteve acesso.

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“Ele pediu a imagem de uma câmera e não teve direito, não teve acesso. Eu não acredito que ele tenha dito algo que contrarie os fatos. Ele identificou exatamente a câmera cuja imagem esclareceria o ocorrido. O governador afirmou que a viatura que passou pelo hotel não parou, mas ele diz que parou, que os policiais desceram. São duas versões opostas. Vamos ver quem está dizendo a verdade”, comentou Haddad durante um evento no Capão Redondo, zona sul de São Paulo, nesta quinta-feira (20/8).

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A Secretaria de Segurança Pública (SSP) foi procurada pela reportagem para comentar o assunto, mas não respondeu até a publicação deste texto. O espaço permanece aberto para futuras manifestações.

O motorista de Haddad prestou depoimento à Polícia Civil na segunda-feira (17/8). O Metrópoles teve acesso ao depoimento e constatou que parte dele diverge da cronologia das imagens das câmeras de segurança divulgadas pela SSP.

De acordo com o depoimento do motorista, após deixar Haddad em casa depois de um evento na Faculdade de Direito da USP, ele decidiu ir a um hotel na Rua Joinville, Vila Mariana, por volta das 21h58, estranhando o que seria o segundo contato com viaturas da PM. Ele escolheu o hotel devido à presença de câmeras de segurança.

Ainda segundo o motorista, ao estacionar, outra viatura da PM teria se aproximado novamente. Os policiais teriam parado o veículo à frente e desembarcado. Três dos PMs permaneceram na calçada, e um deles ordenou: “Vaza”.

Nesse momento, o motorista teria contatado outra pessoa via WhatsApp, relatando o comportamento estranho dos policiais e afirmando que se sentia “monitorado”.

O depoimento continuou com o motorista relatando que deixou a Rua Joinville por volta das 23h09 e seguiu para casa. Após isso, não houve mais contato com viaturas.

DIVERGÊNCIA COM CRONOLOGIA DA SSP
Conforme relatado anteriormente pelo Metrópoles, as imagens divulgadas pela SSP mostram o carro do motorista de Haddad estacionado em frente ao hotel na Rua Joinville às 21h58, conforme o registro do equipamento de um condomínio residencial.

Às 22h24, uma viatura é vista passando lentamente pelo carro, sem parar. Dois minutos depois, às 22h26, o veículo do motorista deixa o local. É nesse ponto que as versões do motorista e da SSP divergem: ele afirmou ter deixado a Rua Joinville às 23h09, 43 minutos após o horário registrado pela SSP.

A SSP também afirma que a viatura não parou. Já o motorista de Haddad disse que a polícia estacionou alguns metros à frente. A gestão estadual informou que mais de 70 câmeras foram analisadas.

ENTENDA O CASO
No dia 12 de agosto, Haddad relatou que o motorista do carro em que estava foi abordado por PMs com fuzis após deixá-lo em casa na noite anterior. Durante uma entrevista, o ex-ministro da Fazenda contou que voltava de uma aula magna na USP e, ao chegar em casa, uma viatura da PM “jogou luz no carro”.

Haddad desceu do veículo, entrou em casa, e o motorista seguiu viagem. Mais à frente, o motorista afirmou que continuou sendo seguido e estacionou em frente a um hotel. Segundo Haddad, policiais com fuzis teriam dito ao motorista para ir embora após questionamento.

De acordo com Hélio Silveira, advogado de Haddad, o motorista relatou que a abordagem durou cerca de 40 minutos. Haddad afirmou que seu carro “foi acompanhado por essa viatura da polícia durante muito tempo, de forma ostensiva e intimidadora”, e acrescentou: “Quero crer que possa ter havido alguma confusão”.

“FALSA COMUNICAÇÃO DE CRIME”, DIZ TARCÍSIO
No domingo (16/8), o governador Tarcísio de Freitas afirmou que análises das imagens indicam falsa comunicação de crime no caso.

“A gente está apurando isso com muita responsabilidade. Se houvesse algum problema, algum desvio de conduta, puniríamos severamente. Mas tudo indica que não houve nada e se trata de uma falsa comunicação”, disse o governador.

Tarcísio afirmou que a viatura que passou pela rua do hotel logo depois foi para o estacionamento do batalhão. Outra viatura, ao passar pelo hotel, não parou nem abordou, segundo ele, alegando que o GPS dos carros foi analisado.

Além disso, Tarcísio mencionou que a viatura que passou pelo hotel depois se juntou a outro carro da polícia para patrulhar outra rua.

Se a polícia concluir que houve falsa comunicação de crime, o motorista poderá ser responsabilizado. A pena para quem comunica a ocorrência de um crime ou contravenção sabendo que não aconteceu varia de 1 a 6 meses de detenção ou multa, conforme o Código Penal.

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