Solidão Lésbica: Impactos da Falta de Representatividade em Mulheres

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Influenciadora celebra Dia da Visibilidade Lésbica e conquista de seguidores (Foto: Instagram)

Celebrado nesta sexta-feira (29/8), o Dia da Visibilidade Lésbica destaca a importância de se atentar para o que ocorre quando não há representatividade. Para mulheres que crescem sem referências, essa ausência pode ser sentida mesmo antes de qualquer relacionamento ou entendimento sobre sua própria sexualidade — manifestando-se na dificuldade de reconhecer sentimentos, na ideia de que existe um modo específico de ser lésbica e, posteriormente, na dificuldade de imaginar uma vida fora do padrão.

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É nesse cenário que surge a solidão lésbica: termo usado para descrever uma experiência que não depende necessariamente de estar fisicamente só. Segundo a psicóloga Paula Machado, em conversa com o Metrópoles, mesmo com o apoio de família e amigos, esse sentimento é bastante comum entre mulheres homossexuais.

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"Uma mulher pode ter uma rede de apoio e, ainda assim, sentir que há uma parte crucial de sua experiência que ninguém ao redor consegue compreender totalmente", explica a psicóloga.

O Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, celebrado em 29 de agosto, foi instituído para marcar o encerramento do 1º Seminário Nacional de Lésbicas (Senale), realizado na mesma data em 1996, no Rio de Janeiro. Paula Machado afirma que a representatividade amplia as possibilidades. Quando uma mulher encontra outras lésbicas, seja na vida real, na literatura, no cinema ou em outros espaços, ela percebe que não existe apenas uma forma de ser lésbica.

A sensação de solidão está relacionada, entre outros fatores, à forma como a heterossexualidade é apresentada desde cedo como referência para tudo que envolve afeto e relacionamento — em conversas familiares, histórias de amor e até na pergunta "cadê os namoradinhos?" no Natal.

Durante seu processo de descoberta sobre o que significava ser lésbica, a influenciadora Karyn Sousa, de Brasília, percebeu a falta de referências. Hoje, com mais de 500 mil seguidores, ela produz conteúdos sobre lifestyle, moda e representatividade, mas revela que demorou a se reconhecer por associar a lesbianidade a um estereótipo específico.

Mesmo após se entender, a sensação de não pertencimento persistiu em outros ambientes. Karyn relata ter se sentido sozinha em espaços de trabalho e grupos de amigos, especialmente por ser uma lésbica feminilizada e encontrar poucas semelhantes a ela.

A mudança começou quando passou a criar conteúdo na internet e, ao ocupar esse espaço, recebeu de outras mulheres o mesmo tipo de identificação que um dia procurou. "Recebo muitas mensagens de meninas dizendo que parece que estou lendo os pensamentos delas, porque nunca tinham se identificado tanto com o conteúdo de alguém", comenta.

Para a psicóloga Paula Machado, representatividade não significa mostrar apenas uma imagem de mulher lésbica, mas sim apresentar diferentes formas de viver essa identidade. Acompanhar outras mulheres e encontrar conteúdos sobre experiências semelhantes pode ser uma porta de entrada importante durante o processo de autodescoberta.

Por fim, Karyn destaca a importância da diversidade de exemplos dentro do universo lésbico: "Quanto mais mulheres mostram diferentes formas de viver essa identidade, mais meninas conseguem olhar e pensar: ‘Ela se parece comigo, então eu também posso ser lésbica’. Não existe uma única forma de ser lésbica".

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