Brasil e Índia visam meta de US$ 20 bilhões em comércio até 2030

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Lula e Narendra Modi estreitam laços bilaterais (Foto: Instagram)

Brasil e Índia avançaram nesta semana em novos acordos para intensificar o comércio bilateral. O objetivo é aumentar a corrente comercial entre os dois países para R$ 20 bilhões dentro de quatro anos. Para isso, uma delegação indiana visitou o Brasil recentemente para discutir estratégias e buscar novas oportunidades de negócios que ajudem a alcançar essa meta.

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A comitiva foi liderada pelo secretário de Comércio da Índia, Rajesh Agrawal, e incluía representantes de 19 empresas de setores variados, como farmacêutico, alimentos, infraestrutura, mineração e agrícola. O propósito da visita, conforme antecipado pelo Metrópoles, era destravar a expansão do comércio.

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A meta audaciosa quase dobraria a atual corrente comercial entre os dois países, estimada em R$ 15 bilhões. Para atingir esse nível, os governos brasileiro e indiano acreditam ser necessário ampliar as linhas tarifárias negociadas, aumentando a variedade de produtos que podem ser importados e exportados entre os dois países.

Por isso, Índia e Brasil assinaram um memorando de entendimento (MoU) entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e a parte indiana. O acordo prevê a troca de informações e estabelece uma base institucional para o desenvolvimento de projetos conjuntos de atração de investimentos e facilitação de negócios bilaterais.

Atualmente, a Índia é o décimo maior parceiro comercial do Brasil. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que a balança comercial entre os dois países no último ano foi de US$ 15,2 bilhões, representando um crescimento de 25% em relação a 2024. Em 2025, o Brasil exportou US$ 6,9 bilhões para a Índia, com destaque para petróleo, gorduras e óleos vegetais, açúcares, minério de ferro e algodão bruto. Enquanto isso, o país importou US$ 8,3 bilhões da Índia.

Em entrevista à imprensa, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que o comércio entre os dois países já teve um incremento de 20% neste ano, impulsionado pela visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Nova Déli em fevereiro deste ano. A visita ao Brasil nesta semana deve aumentar ainda mais a atração de investimentos.

Ao Metrópoles, membros do governo brasileiro informaram que a visita tinha a intenção de mostrar a empresários e investidores indianos as oportunidades no mercado brasileiro, além de tentar criar possibilidades para futuras parcerias ou investimentos. Companhias em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais foram visitadas pelo grupo. O nordeste também está no radar dos indianos, que já destinam investimentos na região.

Um dos maiores investimentos da Índia no Brasil deve começar no Rio Grande do Norte, onde o grupo indiano Fomento já aplicou mais de US$ 450 milhões para a construção de uma mina focada na extração de minério de ferro. O valor total do investimento é estimado em R$ 2,5 bilhões. Além da extração do minério, o grupo indiano montou uma estrutura logística para a exportação do material. A Fomento venceu um leilão de concessão de parte do porto de Natal, por onde a produção deve ser escoada.

Durante a visita ao Brasil, o diretor executivo da Fomento, Anuj Timblo, afirmou que a previsão é de que as operações comecem em 2029, com expectativa de uma produção média de 2 milhões de toneladas por ano.

Embora sejam parceiros de longa data, a agenda dos dois países também converge na figura de suas atuais lideranças. Lula e o premiê indiano, Narendra Modi, compartilham objetivos semelhantes e são entusiastas de pautas comuns, como questões ambientais, defesa do multilateralismo e maior participação do Sul Global na governança internacional.

Em entrevista, Márcio Elias Rosa reforçou a integração entre os dois países. Com recentes acordos fechados na área de minerais críticos, energia e biocombustíveis, o ministro destacou que a parceria entre os dois países vai além do comércio, sendo também uma aliança política.

“A Índia é estratégica também porque falamos das duas maiores lideranças democráticas no Sul Global. Com um grande compromisso de valor social, inclusão, processo de inclusão social e de distribuição de renda. Ou seja, a Índia e o Brasil formam hoje uma aliança que eu digo que é estratégica do ponto de vista econômico, mas também do ponto de vista político“, disse Elias.

A aproximação ganha ainda mais relevância no atual contexto político mundial de maior pressão tarifária dos Estados Unidos. Membros do governo brasileiro avaliam que a busca por novos parceiros pode ajudar a diversificar a pauta econômica brasileira, além de reduzir a exposição à política comercial norte-americana.

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