
Amostras de sondagem de terras raras em Minas Gerais (Foto: Instagram)
Belo Horizonte – A corrida global por terras raras já está movimentando grandes valores em Minas Gerais. Nas cidades de Poços de Caldas, Caldas e Araxá, empresas australianas estão avançando com projetos que, somados aos investimentos anunciados e recursos captados, totalizam cerca de R$ 3,8 bilhões em negócios relacionados à exploração e desenvolvimento de minerais críticos.
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Este montante reflete os compromissos e investimentos divulgados até agora, mas não representa o total futuro. Mesmo assim, a soma ilustra a transformação em andamento.
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Em Poços de Caldas, destacam-se o Projeto Colossus, da Viridis Mining and Minerals, com previsão de investimento de R$ 1,35 bilhão, e o Centro de Refino, Reciclagem e Inovação de Terras Raras da Viridion, uma joint venture entre Viridis e Ionic Rare Earths, com R$ 51 milhões. A Power Minerals também está interessada na cidade, adquirindo o projeto Morro do Ferro, que pode chegar a R$ 83 milhões.
Em Caldas, o Projeto Caldeira, da Meteoric Resources, está orçado em R$ 2,2 bilhões, superando o valor inicial de R$ 1,18 bilhão. A empresa já instalou uma planta-piloto e avançou no licenciamento ambiental.
Em Araxá, a St George Mining está desenvolvendo um projeto de nióbio e terras raras, tendo captado R$ 254 milhões e adquirido terrenos por cerca de R$ 20 milhões para estruturas industriais e compensação ambiental. O montante total de investimentos chega a aproximadamente R$ 3,96 bilhões.
A embaixadora da Austrália no Brasil, Sophie Davies, participou da Exposibram 2026 em Belo Horizonte, e afirmou que cerca de 40 empresas australianas já exploram minerais críticos no Brasil. Ela vê o momento como uma oportunidade para ambos os países e para a segurança das cadeias globais de fornecimento, ressaltando a importância das relações diplomáticas de 80 anos entre Brasil e Austrália.
Sophie Davies enfatiza que as empresas australianas mantêm altos padrões ambientais, sociais e de governança, tanto no país de origem quanto nas operações internacionais.
A movimentação em Minas Gerais coincide com uma mudança no perfil da mineração no Brasil. As terras raras são estratégicas para tecnologias como veículos elétricos e turbinas eólicas. O domínio chinês sobre a produção desses minerais transformou-os em uma questão geopolítica.
A secretária Mila Corrêa destaca que Minas Gerais está entrando em um novo ciclo de minerais críticos, comparando com os ciclos do ouro e do ferro. No entanto, ela alerta que é necessário construir conhecimento e tecnologia para explorar esses recursos.
A resistência de ambientalistas e moradores de Poços de Caldas e Caldas cresce, questionando os impactos sobre áreas urbanas e recursos hídricos. Daniel Tygel, presidente da Aliança em Prol da APA Santuário Ecológico da Pedra Branca, destaca a proximidade dos projetos com áreas residenciais e a necessidade de uma análise integrada dos impactos.
A proximidade com a Unidade de Descomissionamento de Caldas, da INB, também preocupa, devido a possíveis riscos ambientais. Organizações civis elaboraram um dossiê com mais de 1,2 mil páginas sobre os projetos, pressionando por estudos mais aprofundados.
A Prefeitura de Poços de Caldas solicitou medidas para garantir a preservação da qualidade da água e contrapartidas econômicas para o município. O tamanho dos investimentos – cerca de R$ 4 bilhões – aumenta a responsabilidade das cidades em garantir que parte dessa riqueza permaneça em Minas Gerais.







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