
Haddad recebe apoio simbólico de ex-secretários do PSDB em Osasco (Foto: Instagram)
O ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), declarou neste sábado (29/8) que, apesar das diferenças pragmáticas, o PT e o PSDB compartilham valores democráticos. Essa afirmação veio após Haddad receber o apoio de 24 ex-secretários de gestões do PSDB em São Paulo, que assinaram um manifesto criticando a privatização da Sabesp e a reação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao tarifaço dos Estados Unidos.
++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos
“É uma carga simbólica muito grande”, afirmou Haddad em um evento em Osasco, na Grande São Paulo. “PT e PSDB têm divergências programáticas, mas compartilham um terreno comum fértil e sólido, que inclui a soberania nacional, a redemocratização, os direitos humanos, o combate à intolerância, ao racismo e a proteção das mulheres”.
++ Bomba! Astro de Hollywood, Joe Manganirllo revela ter amputado membro
Haddad lembrou que PT e PSDB já estiveram juntos em momentos históricos, como na eleição presidencial de 1989 contra Fernando Collor, e em 1998, quando Mario Covas foi eleito governador de São Paulo. Ele reforçou que o momento atual requer união. “Quando vemos a extrema-direita, baseada em mentiras, oferecer um serviço tão ruim à sociedade, nós nos unimos, pois há algo superior às nossas divergências: nossos princípios e valores”, disse.
CARTA DO PSDB
No último fim de semana, membros históricos do PSDB publicaram uma carta aberta criticando a direção do partido em São Paulo, estado governado pelos tucanos por 28 anos. As críticas incluem o apoio da Federação PSDB-Cidadania à reeleição de Tarcísio, após a nomeação de um aliado de Paulo Serra, presidente estadual do partido, para a presidência da Fundação Casa.
O manifesto foi redigido após uma reunião com Haddad em São Paulo, contando com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o candidato a vice-governador Márcio França (PSB), e as candidatas ao senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).
Veja o manifesto na íntegra:
Pela retomada da liderança de São Paulo
São Paulo se tornou a locomotiva do Brasil por não se contentar em apenas administrar o presente. Liderou ao planejar o futuro, criando políticas públicas inovadoras, fortalecendo instituições e priorizando o interesse público sobre disputas ideológicas.
Essa tradição gerou programas e instituições que transformaram a vida de milhões de paulistas: o Poupatempo, a Rede Lucy Montoro, os AMEs, o ICESP, a Rede Hebe Camargo de combate ao câncer, a expansão do Centro Paula Souza, com ETECs e FATECs, a criação da Univesp, hospitais regionais, restaurantes Bom Prato, o programa Casa Paulista, o Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar, a modernização das forças de segurança, a redução dos índices criminais e a expansão do Metrô, com linhas como a 4-Amarela e a 5-Lilás.
São Paulo também foi pioneiro na agenda ambiental, conciliando proteção da biodiversidade, preservação de nascentes e florestas e incentivo aos combustíveis limpos com o desenvolvimento do agronegócio. Em parceria com o setor produtivo, tornou-se referência nacional e internacional em políticas ambientais e no enfrentamento das mudanças climáticas.
Nada disso foi obra do acaso. Foram políticas construídas com planejamento, capacidade técnica, diálogo e visão de longo prazo.
É por fazer parte dessa trajetória que decidimos tornar pública esta manifestação.
Nós, ex-secretários de Estado, ex-secretários adjuntos, ex-dirigentes de autarquias, fundações, empresas públicas e outros ex-gestores que serviram São Paulo, sentimos o dever de alertar a sociedade sobre o risco da continuidade de um projeto que vem reduzindo a capacidade do Estado de liderar, inovar e criar soluções permanentes.
São Paulo perdeu protagonismo nacional, enfraqueceu o diálogo com prefeitos, universidades, setor produtivo, entidades representativas e organizações da sociedade civil. O planejamento estratégico foi substituído pela administração de curto prazo. As grandes políticas públicas deram lugar à gestão de ativos.
Não somos contra privatizações por princípio. Desde os anos 1990, São Paulo foi pioneiro nesse processo, usando privatizações, concessões e parcerias para aumentar a eficiência, atrair investimentos e melhorar serviços públicos.
O que rejeitamos é transformar a privatização em um fim em si mesmo, como se fosse solução para qualquer problema. Privatização não substitui planejamento, capacidade de governo ou inovação.
A venda da Sabesp, nas condições em que foi feita, representa, em nossa visão, um erro. Uma decisão dessa magnitude exigia mais debate, transparência e uma visão estratégica compatível com sua importância para o desenvolvimento do Estado.
Outro episódio revelou ainda mais essa inversão de prioridades. Diante das medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos, que impactaram a economia paulista, esperava-se do governador a defesa dos interesses de São Paulo e do Brasil. Em vez disso, vimos prevalecer um alinhamento político que, em nossa avaliação, colocou afinidades ideológicas acima da proteção da economia, dos empregos e do potencial de investimento do Estado.
São Paulo sempre foi maior do que governos. Liderou ao construir consensos, respeitar instituições e formular soluções para o Brasil. Essa é a tradição que precisa ser recuperada.
Inspirados pela trajetória pública e compromisso democrático de Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo por 14 anos e atual vice-presidente da República, tornamos pública esta manifestação não para celebrar o passado, mas para afirmar valores indispensáveis ao futuro.
Por isso, entregamos este Manifesto aos candidatos Fernando Haddad, ao Governo do Estado, Márcio França, à Vice-Governadoria, e às candidatas ao Senado Marina Silva e Simone Tebet, manifestando nossa confiança de que poderão liderar um novo ciclo de desenvolvimento, diálogo, responsabilidade pública e fortalecimento das instituições democráticas.
Convidamos os paulistas a se unirem a esta iniciativa e a contribuir para recolocar São Paulo na liderança do desenvolvimento do Brasil.
O que nos une não é a filiação partidária nem a nostalgia. É a convicção de que a experiência acumulada na administração pública pertence à sociedade paulista e deve continuar a serviço de São Paulo.
São Paulo merece voltar a liderar pelo exemplo, pela inovação e pela boa gestão.







Leave a Reply