
Mineiro chega ao Alasca de bicicleta após quase 40 mil km (Foto: Instagram)
Belo Horizonte — Foram quase três anos, aproximadamente 39 mil quilômetros, 16 países e uma rotina de até nove horas diárias na estrada até que Lucca Cardoso Borges Rosa, de 27 anos, alcançasse de bicicleta um destino que, durante sua infância em Araxá, no Alto Paranaíba, parecia distante demais até para ser um sonho: o Alasca.
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O mineiro, que se formou em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo (USP), trabalhava com marketing digital em uma multinacional antes de iniciar sua aventura.
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A chegada ao Alasca, no entanto, não encerrou a aventura. Lucca pretende continuar pedalando até setembro. A previsão é retornar ao Brasil na primeira semana de outubro, com cerca de 41 mil quilômetros percorridos.
A bicicleta faz parte da vida do mineiro desde cedo. Filho de uma professora de educação física e de um pai apaixonado por esportes, ele aprendeu a pedalar ainda criança. Durante a faculdade, começou a ver as possibilidades do ciclismo de forma diferente, quando um colega o convidou para uma viagem de bicicleta.
Em 2019, os dois viajaram de ônibus até a fronteira entre Brasil e Uruguai e passaram duas semanas pedalando pela costa. Essa experiência mudou os planos de Lucca, que decidiu que queria viajar pelo mundo sobre duas rodas.
A partir daí, sua vida foi organizada em torno desse projeto. Durante a faculdade, Lucca decidiu que precisava concluir o curso, economizar e se preparar fisicamente. Dois anos após a primeira experiência, ele usou o dinheiro que havia economizado durante um estágio para fazer outra viagem, dessa vez por Santa Catarina e Paraná.
O plano inicial era mais modesto: “Começou com a ideia de passar seis meses pela América do Sul, mas achei que seria pouco. Então, aumentou para um ano. Pensei: ‘Se vou fazer a América do Sul, sair do meu trabalho e ficar um ano viajando, por que não fazer a América Central e ir até o México?’. Depois pensei: ‘Se vou até o México, já serão um ano e meio’. Então decidi: ‘Vou até o Alasca’.”
A escolha do Alasca como destino final não foi por acaso. Desde criança, Lucca tinha curiosidade pelo lugar: “Via filmes sobre o Alasca, documentários no Discovery Channel. Sempre foi um lugar místico. Temos essa ideia de que é o lugar mais inóspito do mundo.”
Em 1º de outubro de 2023, Lucca partiu de São Paulo para Ushuaia, na Terra do Fogo. Desde então, ele passou por Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, Belize, México, Estados Unidos e Canadá.
Durante essa jornada, não há uma rotina fixa na estrada, já que clima, relevo e estrutura variam de um país para outro. Na maior parte do tempo, Lucca dorme em uma barraca, geralmente em locais gratuitos e em meio à natureza.
Apesar dos desafios, Lucca diz que a maior dificuldade da viagem não foi física. “A maior dificuldade é ficar longe da família e das pessoas que você ama, conviver com a solidão.”
A parte que mais gostou foi perceber as diferenças culturais entre os países. “Em alguns países, parece que você faz uma viagem no tempo. Na Bolívia e na Nicarágua, parece que você está nos anos 1950.”
Lucca começou a se preparar financeiramente em 2019 e trabalhou por cerca de três anos para juntar dinheiro. Cerca de 90% dos gastos da viagem foram pagos com essas economias. Ele também recebeu doações de seguidores e, em momentos de necessidade, recorreu a vaquinhas.
Mesmo após alcançar o destino final, a jornada de Lucca ainda não terminou, e ele precisa de apoio para se manter na estrada. Com as economias praticamente no fim, o ciclista conta com contribuições de seguidores para concluir o trecho pelo Canadá, onde pedala até setembro, antes de retornar ao Brasil em outubro.
Agora, ele ainda tenta assimilar a conquista. “Às vezes olho as fotos, olho no mapa e me pergunto: ‘Será que é verdade mesmo? Será que eu cheguei lá mesmo?’.”







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