Consumo das famílias diminui e desacelera PIB do 2º trimestre

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Carrinho de compras com hortifrúti em supermercado reflete queda de consumo familiar no 2º trimestre. (Foto: Instagram)

A redução no consumo das famílias durante o segundo trimestre deste ano foi um fator chave para a desaceleração no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nesse período. Comparando o primeiro com o segundo trimestre deste ano, houve uma diminuição de 0,4% na compra de bens e serviços pelas pessoas.

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O PIB do segundo trimestre registrou um aumento de 0,5% em comparação com 1,1% no primeiro trimestre (de janeiro a março). O consumo das famílias é crucial pois afeta diretamente o setor de serviços, que é o maior da economia, seguido pela indústria e agropecuária.

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O Produto Interno Bruto representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade em um ano. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga esses dados trimestralmente. Um aumento no PIB indica que a economia está crescendo bem, enquanto uma queda sugere uma contração na produção econômica. Em 2025, a economia do Brasil cresceu 2,3%, comparado a um crescimento de 3,4% em 2024.

No segundo trimestre, o setor de serviços cresceu apenas 0,2%. No trimestre anterior, o crescimento também foi positivo, mas maior, com 0,5%.

A redução de 0,4% no consumo das famílias quebra uma sequência de dois trimestres de crescimento positivo no indicador, ou seja, no quarto trimestre de 2025 e no primeiro trimestre deste ano.

O recuo no consumo ocorre apesar da alta empregabilidade, mas em um cenário de juros elevados e alto endividamento. O desemprego no trimestre encerrado em julho caiu para 5,3%, a menor taxa para o período, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad).

Enquanto isso, o endividamento permanece alto. O índice apurado pelo Banco Central (BC) é de 49,8% para famílias endividadas. A taxa básica de juros, a Selic, está em 14% ao ano, considerada alta por analistas, o que afeta a oferta de crédito.

A taxa média de juros cobrados pelos bancos em operações com cartão de crédito rotativo caiu 6,2 pontos percentuais em julho deste ano, mas ainda atingiu 436,2% ao ano, por exemplo.

O IBGE também destaca a queda na exportação de bens e serviços (-0,8%). A formação bruta de capital fixo avançou 1,2%, mas com crescimento menor do que o verificado no trimestre anterior, de 3,4%.

Dos três grandes setores da economia (serviços, indústria e agropecuária), a agropecuária foi a única que teve crescimento entre os trimestres. No primeiro trimestre deste ano, cresceu 2% e agora 2,8%.

Nesse contexto, destacaram-se o bom desempenho da pecuária e os crescimentos na estimativa de produção anual e ganho de produtividade de soja (5,3%) e café (15,1%), conforme o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE) de agosto.

O desempenho poderia ter sido ainda melhor, não fosse o fraco desempenho de culturas como arroz (-11,3%), algodão (-6,7%) e milho (0,0%).

O desempenho positivo na indústria, com crescimento de 0,1%, foi impulsionado principalmente pelo aumento de 3,4% na atividade das indústrias extrativas. No entanto, outras atividades tiveram retração:

  • eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-1,1%);
  • indústria de transformação (-0,4%); e
  • indústria da construção (-0,4%).

No primeiro trimestre deste ano, o PIB cresceu 1,1% em comparação com o quarto trimestre do ano passado. A agropecuária foi o setor com maior crescimento no período, com 2%. Em seguida, vieram a indústria (1%) e os serviços (0,5%).

Os dados do IBGE mostram que os dois maiores setores da economia desaceleraram entre os trimestres. Serviços passou de 0,5% para 0,2%. Já a indústria, o segundo maior setor, variou de 1% para 0,1% entre os períodos.

A agropecuária foi a única com aceleração no crescimento, passando de 2% para 2,8% entre os dois últimos trimestres. Como é o menor entre os três setores, o país não conseguiu manter o mesmo desempenho de crescimento registrado de janeiro a março.

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