Aníbal Castelo Branco tenta provar que dívida do Corinthians está quase quitada

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Neo Química Arena em pauta nas negociações (Foto: Instagram)

O administrador de empresas Aníbal Castelo Branco, responsável por garantir que os recursos do filme Dark Horse vieram do fundo de Daniel Vorcaro, reuniu-se com a diretoria do Corinthians na quarta-feira (2/9). Ele busca convencê-los de que o clube está próximo de pagar a dívida com a Caixa pela Neo Química Arena.

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Castelo Branco conseguiu a promessa de que fará parte de uma comissão que analisará o contrato, tendo acesso a números e documentos sigilosos. Sua perícia, que não considera eventos após 2019, foi apresentada ao Ministério Público de São Paulo, que investiga a possível cobrança irregular pela Caixa.

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O documento de Castelo Branco menciona que, em 2019, a Caixa cobrava R$ 536 milhões do Corinthians, enquanto o saldo devedor era de R$ 423 milhões. Ele questiona a ausência de uma memória de cálculo completa e estima a dívida real em cerca de R$ 280 milhões.

Atualizando com juros, ele afirma que a dívida seria R$ 402 milhões menor do que os R$ 600 milhões atuais. Ele também contesta uma multa de 10% cobrada pela Caixa, afirmando que deveria incidir apenas sobre o valor em atraso.

A Caixa nega irregularidades, afirmando que o contrato de 2013 e sua renegociação em 2022 seguiram normas rigorosas de governança. O banco destaca que detalhes específicos estão protegidos por sigilo bancário.

QUEM É O PERITO ANÍBAL CASTELO BRANCO
O financiamento da Arena Corinthians começou em 2013, com R$ 400 milhões do BNDES. Estima-se que o clube já tenha pago cerca de R$ 600 milhões, mas ainda deve um valor semelhante, com saldo de R$ 642 milhões no final de 2025.

Castelo Branco, que se intitula presidente do Instituto de Perícia Investigativa (IPI), contesta esse montante. Apesar do nome, o IPI é uma microempresa individual, anteriormente chamada de CAJESP. Ele também é membro do Conselho Regional de Administração e da Ordem dos Peritos Judiciais de São Paulo, criada por ele.

Seu currículo inclui a presidência da Associação Brasileira dos Peritos Judiciais (ABRAPEJ), que não possui site e cuja atividade no Instagram foi suspensa em 2021. Ele também menciona o Instituto Brasileiro de Finanças, Perícias e Cálculos e o Instituto Matemática Financeira, ambos sem referências externas.

O site do IPI afirma que a microempresa produziu mais de 7 mil laudos, atendendo mais de mil escritórios. No entanto, bancos de dados públicos mencionam raros processos envolvendo Castelo Branco ou suas empresas.

Ele já atuou como interventor judicial na Associação Metropolitana de Gestão (AMG), alvo de uma operação da Polícia Federal em 2021. No site do Cajesp, ele menciona ter sido perito em três processos, todos indicados pelo advogado Ricardo Sayeg, para quem ele atualmente trabalha.

PROCESSOS LIGADOS AO MASTER
Castelo Branco está envolvido em duas ações de grande repercussão: foi contratado pelo Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (IPSSC), que teve um prejuízo de R$ 87 milhões ao investir no Banco Master, e pela produtora GoUp, que recebeu R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro, dono do banco.

Ambos os casos são investigados pela Polícia Federal. Em Cajamar, a PF apura a responsabilidade do IPSSC e de seus gestores por investir R$ 87 milhões sem garantias. Castelo Branco foi contratado para provar que a culpa é do Banco Central, CVM, KPM e Secretaria Nacional de Previdência.

O mesmo escritório que o contratou para Cajamar também o chamou para analisar as contas de Dark Horse, como assistente da defesa da GoUp. O laudo, revelado em junho pelo Metrópoles, não detalha o destino de US$ 13,3 milhões (R$ 75 milhões). A perícia menciona de forma genérica as etapas da produção.

Segundo o documento, até 10 de junho, o fundo Havengate Development LP havia enviado os US$ 13,3 milhões para o filme.

CONFIRA A NOTA DA CAIXA:
A CAIXA informa que o contrato com o Corinthians seguiu a legislação vigente e normas do Banco Central do Brasil, sem extrapolar o regime jurídico aplicável. A contratação de 2013 e a renegociação em 2022 foram acompanhadas por assessoria técnica e jurídica, aprovadas por regras de governança rigorosas.

A CAIXA ressalta que informações sobre operações de crédito estão protegidas por sigilo bancário, conforme a Lei Complementar n° 105/2001. Por isso, não pode comentar detalhes do contrato, reafirmando que sua atuação observou a legislação aplicável e normativos internos.

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