
Lula cobra código de ética e investigações sem blindagem (Foto: Instagram)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gravou um vídeo nesta quinta-feira (3/9) abordando a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), após a publicação de um relatório da Polícia Federal (PF) que revela contatos entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
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Essa é a primeira vez que o presidente se manifesta sobre o tema. No vídeo, Lula não menciona diretamente nenhum ministro do STF, mas fala abertamente sobre a crise no Judiciário e o escândalo envolvendo o Banco Master.
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Lula declara que o Brasil “não pode ficar refém de vazamentos seletivos” e defende a implementação de um código de ética para o Judiciário e o Ministério Público, uma proposta defendida por petistas. “O escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil. Roubaram milhões de pessoas de muitos estados e municípios. O banqueiro líder do esquema tem relações com gente muito poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso e o seu banco, fechado. Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos”, afirmou.
O presidente também destacou que a democracia necessita de “instituições fortes e respeitadas” e que é “essencial investigar todos, sem proteger ninguém, doa a quem doer”. Ele enfatizou que o sistema político e judiciário do Brasil precisa de reformas significativas.
Lula expressou ainda que o povo brasileiro espera que o presidente do STF, Edson Fachin, e a Procuradoria-Geral da República “liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações”.
De acordo com membros da campanha de Lula, o objetivo é dar um tom institucional à declaração, mais presidencial do que de campanha. O vídeo foi gravado no Palácio do Planalto.
Como reportado pelo Metrópoles, na coluna de Andreza Matais, entre terça-feira (1º/9) e quarta-feira (2/9), Lula conversou separadamente com o presidente do STF, Edson Fachin, os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Nessas reuniões, Lula teria afirmado que não deseja alimentar a crise, mas sim ajudar a pacificar o ambiente.
Aliados de Lula aconselham que ele mantenha distância do caso. Embora não esteja envolvido, há uma percepção de que a associação de Moraes ao governo poderia impactar negativamente sua campanha de reeleição.
A crise no STF teve início com a divulgação de um relatório da PF na terça-feira (1º/9), que mostrou mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, além de um pedido de explicações do ministro André Mendonça, relator do caso Master na Corte.
Os investigadores também apontam que Moraes teve oito encontros com Vorcaro. A expectativa é que Edson Fachin, presidente do STF, leve o caso ao plenário, mas ainda não há data definida.
Na quarta-feira (2/9), durante um evento do STF, Fachin afirmou que os fatos sobre as mensagens entre Moraes e Vorcaro serão investigados “no devido tempo e sem pressa”. Ele decidirá se o relatório da PF será levado ao plenário, conforme solicitado por Mendonça.
CONFIRA A ÍNTEGRA DA FALA:
“O escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil. Roubaram milhões de pessoas de muitos estados e municípios. O banqueiro líder do esquema tem relações com gente muito poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso e o seu banco, fechado. Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos.
Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos. Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações.
Como presidente da República, acredito que só agindo com firmeza e transparência, vamos garantir que as instituições sejam respeitadas pela sociedade brasileira. É chegada a hora que as pessoas que atuam na vida pública honrem seu dever de ofício e coloquem o compromisso público acima de qualquer interesse individual.
A democracia precisa de instituições fortes e respeitadas. Fica claro que o nosso sistema político e judiciário precisam de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa quem doer. O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade”.







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