PF menciona caso Lulinha e afirma que Mendonça agiu conforme “espectro político”

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Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em evento público recente. (Foto: Instagram)

A Polícia Federal (PF) mencionou Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, ao destacar uma possível diferença nos critérios utilizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de acordo com o espectro político das pessoas envolvidas nas investigações que ele supervisiona.

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O relatório da corporação foi citado em uma decisão de Alexandre de Moraes, enviada nesta quinta-feira (3/9) ao presidente do STF, Edson Fachin. Nesse documento, Moraes solicitou a inclusão de Mendonça no Inquérito 4.781, conhecido como "inquérito das fake news".

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No relatório, a PF compara a situação de Lulinha com a do ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União). "Em reunião presencial de 13/8/2026, o relator manifestou percepção de que ACM Neto […] aparentaria estar exercendo atividade de representação de interesses dentro dos limites do permitido", aponta o documento. Os investigadores afirmam que a situação teria "semelhança relevante com a de Fábio Luís Lula da Silva", sugerindo a adoção de padrões probatórios diferentes conforme o espectro político da pessoa envolvida.

A PF, em resumo, identificou situações consideradas similares, mas avaliadas de forma distinta pelo relator. No caso de ACM Neto, Mendonça teria entendido que a atuação de representação de interesses parecia estar dentro dos limites legais. O relatório da corporação menciona uma possível "assimetria", mas não um favorecimento definitivo.

Moraes usou esse exemplo para sustentar a acusação de que Mendonça teria perdido a imparcialidade na condução das investigações. Em sua decisão, o ministro afirma que os fatos indicariam "quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos". Moraes também acusa o colega de interferir nos trabalhos da PF, participar de tratativas de colaboração premiada e direcionar alvos por razões pessoais e políticas.

O confronto ocorre no auge de um embate entre os dois ministros. A tensão aumentou após Mendonça, relator do caso do Banco Master, determinar à PF que aprofundasse informações sobre uma suposta rede de influência do banqueiro Daniel Vorcaro. A diligência revelou mensagens e registros relacionados a Moraes. Segundo apuração do Metrópoles, os dois ministros tiveram uma discussão acalorada no gabinete de Mendonça no dia 31 de agosto, que quase resultou em confronto físico.

A legalidade das ações de Mendonça também está sob análise da Procuradoria-Geral da República. Paulo Gonet argumentou que a ordem para aprofundar informações sobre Moraes seria nula, pois a investigação de um ministro do STF requereria autorização do plenário da Corte. Fachin abriu nesta quinta um procedimento para avaliar a controvérsia e deu cinco dias para que Moraes, Mendonça, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e Gonet apresentem suas manifestações. As acusações feitas por Moraes, inclusive a de tratamento político distinto apontada pelos relatórios da PF, ainda serão analisadas no Supremo.

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