
Príncipe D. Carlos de Tarso de Saxe-Coburgo e Bragança (Foto: Instagram)
Recentemente, os republicanos brasileiros não têm encontrado muitos motivos para comemorar. Contudo, não devemos nos alegrar com as dificuldades dos outros. Isso não seria justo — um valor essencial para a República, a ponto de os comentaristas medievais adicionarem "ou da Justiça" ao título do livro de Platão.
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Sim, não seria justo. Mas seria humano. Nesta fase de poucas alegrias para os republicanos, surgiu um dissabor no campo oposto. Se não fosse por esse obstáculo ético, seria motivo de satisfação.
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Na verdade, o campo monarquista há muito deixou de ser adversário. O monarquismo brasileiro se adaptou aos costumes republicanos. Portanto, alegrar-se com os infortúnios monárquicos seria tão ridículo quanto colocar uma bomba em uma ferrovia desativada. E mereceria um alerta semelhante ao daquela caricatura de Chas Addams: bandidos amarram uma vítima nos trilhos, e uma observadora plácida avisa: — Não é da minha conta, mas esse desvio está abandonado há muito tempo…
Mas o que está acontecendo no campo monarquista? — pode perguntar o leitor. Acontece que príncipes estão brigando feio.
Um descendente do duque de Saxe apareceu por aqui. Os descendentes do conde d’Eu não parecem ter gostado da presença do primo. Talvez questões complicadas de herança e sucessão tenham sido reavivadas com essa chegada. Um cronista social mencionou muito d. Carlos de Tarso de Saxe-Coburgo e Bragança. Logo, d. Pedro Gastão, através de d. João de Orleãs e Bragança, informou que o título usado por d. Carlos foi "outorgado pela lista da Companhia Telefônica Brasileira", após ter solicitado em cartório a mudança de sobrenome com que chegou ao Brasil: barão de Lamoral.
Nessas coisas de genealogia e tradições principescas, não sou especialista. Mas que o jovem príncipe é primo do outro, isso é fato. D. Pedro II teve Leopoldina, Leopoldina casou-se com o duque de Saxe, que foi pai de d. Augusto, d. Augusto pai de da. Teresa, e da. Teresa, mãe do jovem d. Carlos. Tudo isso faz meu sangue republicano perceber o cheiro de sangue real.
Soube que d. Carlos trabalha em lavouras no Paraná e planeja casar-se com uma moça brasileira de sangue republicano. Isso é duplamente positivo.
Ele demonstra um equilíbrio que não era do pobre tio, d. Pedro Augusto, que perturbou a viagem de exílio de Pedro II com seu delírio de perseguição a bordo do “Alagoas”, mas era do avô, que recebeu do Imperador, em 15 de novembro, o sóbrio conselho: “Sirva o Brasil.”
O espírito epigramático de Pedro II parece ter sido herdado por d. João, conhecido por uma frase cruel após a morte de Getúlio Vargas: “Antes a carta que a presença.” D. Pedro Gastão possui o instinto da ironia, mas não a verdadeira vocação, que consiste em ferir precisamente. O arranhão superficial machuca mais do que corta. A equimose sara rapidamente.
Neste conflito, nós, observadores externos, não opinamos. Sabemos que em briga de jaó nambu não pia; e também sabemos que os Bragança no Brasil sempre foram de muita briga. D. João VI com da. Carlota Joaquina, d. Pedro com o pai, o irmão e a primeira esposa. Da. Isabel queixou-se ao comandante do “Alagoas”: “Implantaram a discórdia na família”. Mas a santa brasileira esquecia que sangue real é, por essência, brigador. Felizes somos nós que hoje temos os príncipes na lista da Companhia Telefônica, disputando por um trono ainda mais vago que o governo do dr. Juscelino.
Odylo Costa, filho







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