
Político visivelmente emocionado em frente às bandeiras do Brasil durante coletiva (Foto: Instagram)
Na madrugada de 20 de abril de 1997, Galdino Jesus dos Santos, um líder indígena Pataxó Hã-Hã-Hãe de 44 anos, do Sul da Bahia, estava dormindo em um banco de uma parada de ônibus na Avenida W3 Sul, em Brasília. A pensão onde ele se hospedaria recusou recebê-lo devido ao horário. No dia seguinte, ele participaria das comemorações do Dia do Índio.
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Cinco jovens que retornavam de uma festa o avistaram dormindo profundamente. Eles compraram dois litros de álcool em um posto próximo, voltaram, despejaram o líquido inflamável sobre o cobertor que o cobria e atearam fogo. Galdino teve 95% do corpo queimado e faleceu cerca de 21 horas depois em um hospital. O crime chocou o país, e os responsáveis foram presos e condenados.
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Naquela época, o Brasil estava sob o governo do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, eleito três anos antes após vencer Lula no primeiro turno, e que, no ano seguinte, seria reeleito sem necessidade de segundo turno. Sua popularidade estava em torno de 50%, mas caiu para 33% algumas semanas após o crime, causando pânico no Palácio do Planalto.
— O que eu tinha a ver com a morte do índio? — questionou Fernando Henrique à jornalista Vanda Célia. — Por que tudo de ruim recai sobre o governo federal?
Sua equipe montou rapidamente uma operação para minimizar os danos. O presidente recebeu a família de Galdino em audiência e comentou o crime em entrevistas, mas sua popularidade só voltou aos 50% em julho.
Avançando para o presente: faltam apenas 28 dias para o primeiro turno das eleições deste ano. A nova pesquisa Quaest de intenções de voto será divulgada amanhã à tarde, pouco depois do comício na Avenida Paulista convocado por Flávio Bolsonaro (PL). Ela avaliará os impactos da crise do Supremo Tribunal Federal (STF) na candidatura de Lula à reeleição. Dentro do governo, o clima é de grande apreensão.
Fernando Henrique teve tempo suficiente para se recuperar dos danos à sua imagem causados pelo assassinato de Galdino; além disso, navegava em águas calmas graças ao Plano Real, que controlava a inflação (um real valia um dólar). Com Lula, a situação é diferente. O tempo corre contra ele, sua popularidade é bem mais baixa e sua taxa de rejeição é apenas dois pontos percentuais menor que a de Flávio.
Em um cenário de segundo turno, conforme a pesquisa mais recente do Datafolha, Lula e Flávio estão empatados. Para complicar, o candidato Augusto Cury (AVANTE) tem ganhado terreno e pode se tornar uma ameaça para ambos na reta final da campanha. O roteirista do filme chamado “Brasil” continua ativo e nunca descansa. A crise no STF não tem data prevista para terminar — se é que terminará.







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