Dólar recua e Bolsa avança após pesquisa mostrar Flávio à frente de Lula

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Dólar recua enquanto Ibovespa avança com foco na disputa presidencial (Foto: Instagram)

A atenção dos investidores brasileiros voltou-se para a disputa eleitoral, alterando drasticamente o comportamento do câmbio e das ações no país nesta quinta-feira (10/9). Com isso, os mercados locais se desvincularam do cenário global.

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O dólar, que estava em alta frente ao real, inverteu a tendência no final da manhã, fechando com uma leve queda de 0,18%, cotado a R$ 5,10. O Ibovespa, principal índice da B3, iniciou o dia em baixa, mas encerrou com alta de 1,42%, atingindo 188,2 mil pontos.

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A mudança no câmbio e no Ibovespa ocorreu após a divulgação de uma nova pesquisa eleitoral da AtlasIntel. O levantamento mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em desvantagem numérica em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno.

Além disso, os investidores reagiram a uma declaração do candidato Augusto Cury (Avante), que afirmou não apoiar o petista "em hipótese alguma" em um eventual segundo turno na disputa presidencial.

Grande parte do mercado apoia a eleição de Flávio à presidência, com a expectativa de que uma mudança de governo possa aliviar o problema fiscal, reduzindo o ritmo de crescimento da dívida pública do país.

NA CONTRAMÃO
No cenário internacional, os mercados operaram de forma contrária ao brasileiro. Às 16h40, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a seis moedas fortes, subia 0,28%, enquanto a moeda americana caía 0,26% em relação ao real.

No mesmo horário, o Ibovespa subia 1,47%, enquanto os principais índices de Nova York registravam quedas: S&P 500 caía 0,56%, Dow Jones 0,61% e Nasdaq 0,62%. As bolsas europeias também fecharam em baixa.

PETRÓLEO
O clima negativo nos mercados mundiais foi causado pelo aumento das tensões no Oriente Médio. Os confrontos entre Estados Unidos e Irã se intensificaram, elevando o preço do petróleo acima dos US$ 100.

Nesta quinta-feira, o barril do tipo Brent subiu 6,43%, chegando a US$ 107,63. O tipo West Texas Intermediate (WTI) subiu 6,69%, atingindo US$ 102,48.

JUROS
Com a pressão inflacionária gerada pelo conflito, o Banco Central Europeu elevou a taxa de juros na zona do euro em 0,25 ponto percentual, para 2,5% ao ano.

INFLAÇÃO
Nos Estados Unidos, o índice de preços ao produtor (PPI) subiu 0,4% em agosto em relação ao mês anterior, após um aumento revisado de 0,1% em julho. Os dados, divulgados pelo Departamento do Trabalho, estavam dentro das expectativas dos analistas.

Segundo Vitor Kayo, economista da Nomad, os dados do PPI reforçam que o Federal Reserve mantém uma postura rígida sobre a inflação, podendo aumentar os juros nas próximas reuniões, a primeira delas na próxima semana.

TRABALHO
Os investidores também acompanharam dados sobre o mercado de trabalho nos EUA. Os pedidos iniciais de seguro-desemprego somaram 206 mil na semana encerrada em 5 de setembro, próximo ao consenso de 205 mil pedidos, representando uma queda de mil solicitações em relação à semana anterior.

ANÁLISE
Emerson Junior, da corretora Convexa, avalia que "o alívio cambial e o avanço da Bolsa refletem a repercussão da nova pesquisa eleitoral, que destaca o equilíbrio de forças entre Flávio Bolsonaro e o presidente Lula". "O mercado brasileiro ignorou o pessimismo externo e a alta das curvas de juros globais", comenta.

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