
Notas de reais apreendidas pela PCDF em operação contra agiotagem (Foto: Instagram)
Uma tragédia abalou uma família no Distrito Federal, expondo o desespero vivido por um comerciante de 68 anos da Feira dos Goianos, em Taguatinga. Semianalfabeto e com a saúde mental abalada pelo medo diário, o homem perdeu a vida após ser sufocado financeiramente por agiotas determinados a extrair até o último centavo de sua vítima.
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Desesperado ao ver sua dívida crescer descontroladamente com juros exorbitantes de 20% ao mês, o feirante utilizava o celular e a conta bancária de familiares para tentar negociar parcelas diárias e conter a pressão. Incapaz de pagar e sob constante ameaça dos criminosos, a vítima não resistiu ao massacre psicológico e faleceu em março de 2025, vítima do terror implacável.
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A crueldade dos agiotas, no entanto, não cessou com a morte do idoso. Após o falecimento do feirante, a pressão foi imediatamente transferida para seus familiares.
A filha do comerciante tornou-se o novo alvo dos agiotas, recebendo áudios e mensagens com ameaças diretas à sua integridade física e vida, sendo brutalmente coagida a assumir as dívidas ilegais e a manter os pagamentos diários. A dor do luto foi substituída por um pânico diário dentro do lar da família.
O desespero acumulado nos celulares das vítimas e o rastro de chantagens serviram de ponto de partida para a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais, desmantelar uma das redes de extorsão mais violentas do Centro-Oeste, nesta quinta-feira (10/9).
Na manhã desta quinta-feira, uma megaoperação mobilizou agentes para sufocar a organização criminosa armada especializada em agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro, que estendeu suas atividades pelo Distrito Federal, Goiás e Tocantins.
A investigação revelou que a vítima principal estava sob o controle de dois grupos independentes: um de origem colombiana, desarticulado em ação prévia, e outro composto por brasileiros com estrutura empresarial, que contava inclusive com o apoio de um sargento reformado da Polícia Militar de Goiás no braço armado de coerção e intimidação.
A ofensiva policial resultou no cumprimento de 12 mandados de prisão preventiva e diversas ordens de busca e apreensão nas cidades de Palmas, Araguaína, Formoso, Goiânia e Senador Canedo. A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 10 milhões nas contas dos investigados, além do sequestro de bens adquiridos com o lucro da agiotagem.
Os envolvidos enfrentarão acusações de usura, extorsão, organização criminosa armada, lavagem de dinheiro e coação no curso do processo, enquanto as autoridades continuam a análise dos materiais apreendidos para identificar outras vítimas submetidas ao mesmo terror.







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