Morte de professora após injeção em salão de beleza levanta alerta sobre práticas fora de clínicas

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Lidiane Gomes de Souza Alves em cerimônia de formatura, celebrando sua trajetória acadêmica antes de tornar-se professora. (Foto: Instagram)

Uma professora de 50 anos faleceu após sofrer uma reação alérgica grave ao receber uma injeção para queda de cabelo em um salão de beleza no Distrito Federal. A Polícia Civil está investigando o caso e ainda não determinou qual substância causou a reação.

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De acordo com o relato do marido, Valdeci Alves, Lidiane Gomes de Souza Alves começou a se sentir mal aproximadamente duas horas após o procedimento, apresentando dificuldade para respirar. Ela foi levada a uma unidade de saúde, mas não sobreviveu.

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A aplicação, realizada em um salão de beleza, teria sido de um complexo vitamínico. Segundo a família, ela não apresentava histórico de doenças significativas.

CHOQUE ALÉRGICO PODE EVOLUIR RAPIDAMENTE
A neurologista e neuroimunologista Natalia Nasser Ximenes, do Hospital Santa Lúcia, explica que o quadro é compatível com anafilaxia, uma reação alérgica grave que pode se desenvolver rapidamente.

“A anafilaxia compromete a respiração e a circulação. Substâncias inflamatórias são liberadas, causando queda de pressão, fechamento das vias aéreas e inchaço na região da garganta”, afirma ela.

Segundo a especialista, a evolução pode ser rápida. “Em alguns casos, o quadro avança para insuficiência respiratória e parada cardiorrespiratória em poucos minutos”, comenta.

Os primeiros sinais incluem falta de ar, sensação de garganta se fechando, inchaço na boca ou língua, tontura e queda de pressão. Coceira e manchas na pele podem surgir, mas não são sempre presentes.

O otorrinolaringologista Vitor Abraão, atuante em Brasília, reforça que, diante desses sintomas, não é seguro tentar resolver em casa. “Uma reação grave pode evoluir rapidamente e exige atendimento médico imediato”, diz ele.

RISCO NÃO DEPENDE SÓ DA SUBSTÂNCIA PRINCIPAL
Entre os itens apreendidos no local estão compostos como ácido hialurônico, vitaminas e peptídeos, usados em procedimentos estéticos. No entanto, não é possível afirmar se e qual dessas substâncias está ligada ao caso.

A química Raquel Lima, presidente do Conselho Federal de Química (CFQ), destaca que nenhuma substância injetável é isenta de risco. “O problema não está apenas no princípio ativo. A formulação inclui conservantes, estabilizantes, proteínas e outros componentes que também podem desencadear reações”, aponta.

Ela enfatiza que até substâncias comuns podem causar alergia dependendo da dose, da via de aplicação, da pureza e das condições de uso. “Dizer que é vitamina ou que é natural não significa que seja seguro quando aplicado por injeção.”

APLICAÇÃO EXIGE AMBIENTE E PREPARO ADEQUADOS
Outro ponto crítico é a via de administração. Diferente do uso tópico, a aplicação injetável ultrapassa a barreira de proteção da pele e pode levar a substância diretamente à circulação. “Isso aumenta o risco de efeitos sistêmicos e de complicações como infecção, lesão vascular e necrose”, afirma Raquel.

Por esse motivo, procedimentos com injeções exigem ambiente adequado, controle de esterilidade e avaliação prévia do paciente. “É fundamental que haja acompanhamento de um profissional de saúde capacitado”, finaliza a especialista.

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